Londrina - Há pouco mais de uma década, as bibliotecas escolares não tinham o devido valor que merecem. Por não serem vistas como um recurso pedagógico, muitas eram utilizadas como depósitos e almoxarifados. Foi só a partir de 2002, por meio do projeto Palavras Andantes da Secretaria de Educação de Londrina, que esses espaços passaram a ganhar um trabalho sistematizado.
O projeto envolve quatro eixos: formação dos professores mediadores de leitura; hora do conto semanal; empréstimo de livros e adequação arquitetônica e pedagógica. De acordo com Márcia Batista de Oliveira, responsável pelo apoio pedagógico das bibliotecas escolares, apesar de o município contar com 84 bibliotecas, o que significa uma para cada escola municipal, o desafio ainda é manter um espaço físico adequado.
Segundo ela, uma biblioteca exemplar deve contar com um acervo mínimo de cinco mil livros, entre literários, pesquisa, gibis e revistas, além de paredes claras, estantes coloridas e baixas, cortina para quebra de luz e um canto aconchegante, para uma leitura mais tranquila.
"A biblioteca é o coração da escola. Ela precisa proporcionar tanto a leitura orientada quanto a prazerosa", diz, ressaltando que um bom exemplo é a Escola Municipal Sonia Parreira Debei, no Residencial do Café, zona norte.
Além da estrutura adequada, é muito utilizada por alunos e professores e ainda conta comum computador com acesso à internet. "No município, menos de 50% das bibliotecas têm um computador para esta finalidade. Mas já existe um projeto, ainda embrionário, mas que propõe essa aquisição", completa, sem detalhes.
A aluna Marianna Manosso, de 10 anos, conta que já aproveitou o computador para leitura, mas prefere a versão impressa. "No papel não tem imagem e a gente trabalha mais a imaginação. Mas para fazer uma pesquisa ou até mesmo se distrair, é melhor o computador porque a gente tem acesso a muito mais coisas", diz.
A professora regente de oficina da biblioteca, Adriana Paula dos Santos, comenta que com o passar dos anos os alunos começaram a perceber a função da biblioteca e a média de empréstimo aumentou para quatro livros por aluno ao mês.
"Eles têm se interessado por coleções modernas, mas os clássicos são os campeões aqui na escola", declara, citando "O Velho e o Mar", de Ernest Hemingway. E um bom exemplo de como a biblioteca é tão legal quanto importante, é dado pela aluna Emilly Fernanda C. Delmiro, de 11 anos.
"Poder vir aqui e ler um livro ou até mesmo levar para casa, é muito bom. Conheço coisas novas e só pela imaginação embarco em lugares onde nunca estive. Me sinto diferente, com uma sensação boa. Adoro", conta. (M.O.)

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