Ibiporã - Não é de hoje que os homens estão fazendo a cabeça das mulheres. Há tempos eles invadiram os salões de beleza e provaram que também têm talento com tesouras, tintas e sprays. Muitos deles são movidos pelo dom de cortar cabelos, mas também são cada vez mais atraídos pelo aquecimento do mercado.
De acordo com um levantamento da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), de 2005 para 2010, o número de salões de beleza aumentou 78%, passando de 309 mil para 550 mil no país. Também cresceu o o número de profissionais, de 1,2 milhão para 2,2 milhões.
Além disso, no ano passado a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei 12.592/12 que regulamenta a profissão de cabeleireiro, assim como a de barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador.
Esse conjunto de fatores deu evidência aos serviços de beleza e tem preenchido as vagas nos cursos especializados. Um bom exemplo é o curso de auxiliar de cabeleireiro ofertado pela Agência do Trabalhador em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina). "Eles são minoria, mas cada vez mais vejo que os homens têm procurado esse tipo de curso. E, para falar a verdade, eles acabam me surpreendendo pelos cuidados e talento", afirma a instrutora do curso Camila Calixto.
A turma é a segunda a ser formada através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). São 34 alunas e dois alunos - Alex Sandro Oliveira de Queiroz, de 37 anos, e José Nilton Rodrigues, de 40. Eles querem abrir o próprio negócio e confessam que o interesse pela profissão surgiu dentro de casa, há muitos anos.
José, que é técnico em Segurança do Trabalho, é casado e pai de um garoto de 13 anos. Ele dá treinamento sobre segurança e higiene em empresas de Ibiporã, mas não abre mão da vontade de ter o próprio salão. "Desde criança tenho interesse em trabalhar como cabeleireiro e até hoje sou eu quem corta o cabelo dos meus irmãos e agora da minha esposa também", comenta ele, que diz não se importar com o preconceito. "Para mim é pura desinformação".
Com a conclusão do curso no final do mês, José fará uma inscrição no Senac para garantir o certificado necessário para montar o próprio negócio. "Preciso cumprir uma carga de 400 horas, mas a verdade é que as aulas que estou tendo já me dão muita bagagem. A gente aprende de tudo e hoje já tenho oito clientes que atendo em casa", conta.

Impacto
Assim como José, Alex Sandro também não economiza nos sonhos. "É uma área muito rentável. Todo mundo quer cuidar do cabelo, da aparência. Hoje, até os homens têm essa preocupação. Acho que com essa qualificação, posso ter meu próprio negócio aproveitando até algum espaço que tenho em casa", comenta Alex, que mora com a mulher e o filho de 13 anos.
Carioca, Alex mudou-se para Ibiporã no final de ano passado, onde vive a família de sua mulher. A mudança tem agradado o agente de segurança e professor de jiu-jitsu, que acredita ter deixado a insegurança da terra natal. "Dou aulas em uma academia, mas eu queria me profissionalizar, pois cresci acostumado a ajudar minha mãe que é cabeleireira e manicure. Ela sempre me pediu ajuda para enrolar um bobe no cabelo e até fazer escova. Foi aí que comecei a apreciar esse trabalho", lembra.
A aparência física de Alex causa até um certo impacto em um primeiro momento, mas ele garante que não é alvo de muitas brincadeiras. "Até sinto um certo preconceito, mas ninguém faz piadinha para mim. Acho que é porque eles sabem que sou professor de jiu-jitsu", conta em tom de brincadeira.

Gratuito
De acordo com Lourdes Aparecida da Silva Narciso, secretária municipal do Trabalho e gerente da Agência do Trabalhador, os cursos de qualificação e oficinas de empregabilidade ocorrem em parceria com o Senai, Senac e Senat e são ofertados ou por meio de recursos do município ou pelo Pronatec e Senai.
Além dos laboratórios de informática, costura industrial e cabeleireiro, existem as oficinas de telessalas, divididas por módulos e ministradas por professores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Um levantamento feito de janeiro a maio deste ano mostra que das 851 vagas abertas na Agência, 273 foram preenchidas - apenas 32%. "A maioria das vagas exige experiência e qualificação. É por isso que os cursos são interessantes para a população. As aulas que são oferecidas pelo Pronatec, por exemplo, são totalmente gratuitas e incluem uma ajuda de custo diária para transporte e alimentação."

Serviço:
A Agência do Trabalhador fica na Avenida Dom Pedro II, 294. Informações pelo fone (43) 3178-0223.

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