Santiago, Cuzco, Assunção, Basiléia e Lausanne. O que mais parece uma volta ao mundo é na verdade um passeio pelas ruas do Bela Suíça, bairro da Região Sul de Londrina. O nome, aliás, não poderia ser mais apropriado. A Suíça tem uma das melhores economias do mundo e ocupa o segundo lugar no ranking mundial de qualidade de vida. O Bela Suíça tem características semelhantes, com casas de alto padrão e uma tranquilidade de dar inveja aos moradores da região central da cidade.
Andar pelas ruas do bairro em um domingo à tarde e encontrar alguém na rua é missão praticamente impossível. O máximo que se vê é o carro da equipe de vigilância particular. Os muros altos escondem o luxo das construções, mas ''sobrevoando'' o bairro com a ajuda do programa de satélite Google Earth é possível identificar a riqueza do local. Achar uma casa sem piscina é tarefa das mais difíceis, já que o bairro possui terrenos grandes que possibilitam a construção de áreas de lazer.
O engenheiro civil Romeu Demattê, 62 anos, mora há 27 no Bela Suíça. Quando chegou ao bairro, só havia mais uma casa construída na região. Ele lembra que, desde o começo, foram erguidas casas de alto padrão. ''Não tinha terreno menor que mil metros quadrados. Aí não tem lógica comprar um espaço tão grande para construir uma casa pequena. É o mesmo que está acontecendo hoje com os condomínios fechados'', compara.
No Bela Suíça este paralelo faz todo sentido. O bairro tem uma espécie de reunião mensal de moradores - assim como em alguns condomínios - para discutir questões de segurança e outros interesses. O convívio com vizinhos também é muito restrito, característica que mudou com o crescimento do bairro. ''Antigamente o contato era maior, hoje só se encontra os vizinhos quando chega em casa. É muito raro'', conta Demattê.
Ao perguntar para os moradores do Bela Suíça quais as principais vantagens de morar no local, a resposta é unânime: tranquilidade. O estudante Guilherme Bernardi Paduan está há dez anos no bairro e garante que barulho e agitação não fazem parte da rotina dos moradores. ''Não passam quase carros, não tem bagunça na rua. É um clima calmo, de cidade pequena'', afirma.
Ari Célio dos Santos, 38 anos, trabalha como caseiro há seis anos em uma das mansões do bairro. Pesando prós e contras, ele também cita o sossego como vantagem, além da localização privilegiada. ''A proximidade das avenidas Higienópolis e Madre Leônia faz com que tudo seja perto, com rápido acesso ao centro.''
Mesmo diante de tantos elogios, há quem não esteja tão satisfeito assim. O vendedor João Francisco dos Santos diz que tranquilidade é coisa do passado no bairro, e nem a instalação da 1 Companhia do 5º Batalhão de Polícia Militar de Londrina na região foi suficiente para conter a onda de assaltos. ''Em três meses, minha casa e a de outros cinco vizinhos foram assaltadas, uma delas dois dias seguidos. Mas não penso em mudar daqui, porque a violência está por todos os lados'', analisa.
É bem provável que o vendedor esteja seduzido pela paisagem que o bairro oferece. Ele mora de frente para o Lago Igapó. ''É muito bom acordar e olhar o lago de manhã. Claro que já foi mais bem cuidado, mais limpo, e o mau cheiro do lago algumas vezes incomoda. Mas vale muito a pena morar de frente para o principal cartão postal da cidade''.

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