Marcos NegriniO dependente Juvenal Garrido, caminhoneiro, 1º grau completo: ‘‘Perdi tudo’’‘‘Sou que nem peru: onde escurecer eu durmo’’, diz o motorista de caminhão Juvenal Garrido, 48 anos, nascido em Altônia (PR), e que há 11 anos perambula pelas ruas de Maringá atrás de cachaça. ‘‘Bebo uma média de uma garrafa de pinga por dia. Sei que sou alcoólatra. Já fui procurado pelo FDS (Fundação de Desenvolvimento de Maringá). Não quis. Já estive internado por seis meses na chácara dos adventistas em Bauru. Saí bem de lá, mas recaí porque nunca fui numa reunião de AA (Alcoólicos Anônimos)’’, afirma.
Juvenal cursou até a 8ª série do 1º grau. Ele dirigiu os caminhões de seu irmão, carregando madeira na região de Umuarama até 1986. ‘‘Estava bebendo muito e meu irmão não podia mais confiar no meu serviço’’, conta ele. Seus três filhos do único casamento moram em Curitiba. ‘‘Nunca mais os vi’’. Quando fala neles, Juvenal chora.
‘‘A doença é muito grave. Tudo é motivo pra gente beber. A saudade dos bons tempos, da mulher, dos filhos, é muito grande, e também serve de motivação para a bebida. É como se fosse um ato de covardia. A gente sabe que pode ser feliz mas não tem coragem de retomar o tratamento, de parar de vez com a bebida.’’
Juvenal evita fazer um mea culpa. ‘‘Não tenho culpa de ter desenvolvido a dependência. A doença pode pegar qualquer um. Mas sei que sou responsável pela minha recuperação, já que existe uma saída. Há luz no fim do túnel. Mas eu não quero, não consigo, não sou capaz de enxergá-la. A bebida é mais forte do que eu’’, confessa.

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