'A árvore só não caiu ainda porque eu rezo'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 

Desde maio de 2016, o aposentado José Aparecido Matos aguarda a equipe da Sema (Secretaria Municipal de Ambiente) para erradicar a árvore em frente à sua residência, na rua Deputado Nilson Ribas, no jardim Bancários (zona oeste). Ele conta que em abril daquele ano uma equipe da secretaria esteve no local e oficializou o pedido de corte. "Ela foi tomada por cupins e ficou totalmente oca por dentro. Mas até agora ninguém apareceu", afirma, com o documento em mãos.
Ao saber do anúncio da prefeitura sobre a contratação de uma empresa para realizar o serviço em toda a cidade, Matos desabafa: "espero estar entre as prioridades, pois a árvore só não caiu ainda porque eu rezo. Também não acho certo contratar um serviço particular, pois pago IPTU, tudo em dia", ressalta. O morador lembra que, tempos atrás, dois rapazes estacionaram em frente ao portão se dizendo técnicos para realizar o serviço, porém, mediante o pagamento de R$ 900. "Achei um absurdo, além de estranho. Eles nunca mais voltaram", lembra.
Perto dali, Renato Jesus Pardo, que mora com a mãe idosa na rua Serra da Canastra (jardim Bandeirantes), não pôde esperar pelo serviço municipal, solicitado há 10 anos. Após a árvore em frente à residência ter partido ao meio e atingido o telhado durante as chuvas de outubro de 2018, ele decidiu pagar por um serviço particular. "Nós estávamos correndo risco, pois era uma árvore muito velha e alta. Metade dela já tinha caído e a outra terminou de cair na chuva de sábado (19). Sorte que ninguém se feriu. Depois da chuva sobraram alguns galhos e a gente mandou cortar porque ia cair a qualquer momento", diz.
Pardo disse que durante todos esse anos apenas equipes da Copel estiveram no endereço para realizar podas de rotina. "Mas para resolver o problema mesmo, ninguém apareceu e agora somos obrigados a ficar com esses galhos e troncos aqui na calçada, o que é um transtorno porque atrai muitos insetos, principalmente ratos. A árvore caiu com as chuvas e o mínimo que a prefeitura tinha que fazer era recolher. Para mim, isso é falta de interesse. Um descaso", reclama.


