A arte brota de vasinhos improvisados no Jardim Maracanã, um bairro pobre da zona oeste de Londrina. Em meio às dificuldades do lugar, o artista Ricardo Sérgio da Silva, 28 anos, ensina com suas plantas que o talento se forja com persistência, entrega e prazer. ''Bonsai é como um quadro que você vai pintando durante toda a vida. É uma arte que vai se diferenciando a cada ano e que não tem fim, pois se transforma com o tempo'', ensina. Como muitos artistas, ele ainda não consegue sobreviver do seu ofício e tem que se ''virar'' trabalhando na construção civil. Isso, entretanto, não o fez desistir. Sem demagogia, ele diz que não quer ser ajudado mas sim que as pessoas conheçam as suas obras. E avisa que não pretende abandonar aquilo que mais ama fazer só por falta de dinheiro.
O artista conta que sua fixação pelas plantas começou a germinar quando tinha pouco mais de 10 anos, ao assistir o filme ''Karatê Kid''. Na película, o ator Pat Morita faz o papel de um mestre de artes marciais que se utiliza dos bonsais para fazer de seu pupilo um vencedor.
Em 1997, Silva conheceu um artista e teve a primeira oportunidade para finalmente entender melhor como aquelas árvores poderiam ser plantadas em pequenos vasos de forma artística. Depois disso, ele começou a trabalhar num viveiro de plantas em Ibiporã e foi aprimorando seus conhecimentos por conta própria, através da aquisição de livros e revistas que tratavam do assunto.
''Me considero um artista desde que descobri o bonsai'', revela. Silva diz que o que o atraiu para o ofício foi o desafio que existe na criação das plantas em miniatura. ''O bonsai é uma árvore na bandeja e não simplesmente uma planta num vasinho'', avisa aos críticos. Mas seu talento também se expressa nos vasos que utiliza. Sem dinheiro para comprar suportes caros, ele improvisa plantando as árvores em recipientes como pratos, travessas, potes diversos e até pneus velhos.
Há cinco anos se mudou para o Maracanã com alguns familiares e há três conseguiu adquirir o terreno onde instalou seu próprio viveiro. A falta de recursos não o impediu de criar e manter mais de 150 bonsais no pequeno pedaço de terra. As mudas, Silva conseguiu garimpando pela vizinhança e pelas ruas. A variedade de espécies chama atenção. Lá, o artista cultiva ficus, paineiras, legustres, azaléias, pessegeiros, primaveras...
Ele diz que quando está cuidando das suas plantas esquece da violência, da falta de incentivo, de tudo. ''Quando estou no viveiro, eu esqueço da vida'', fala. E os bonsais acabaram atiçando no rapaz a vontade de explorar outras formas de expressão. Quando sobra um tempo, ele se dedica a retratar com pincel as suas criações.
Seu sonho, ainda não realizado, é poder viver de sua arte. ''Não há nada mais gostoso do que viver daquilo que a gente gosta.'' Com a experiência de quem já passou pela ''terapia das plantas'', ele ensina que o bonsai acalma, disciplina e apura a sensibilidade artística. Por isso, é uma boa opção de atividade para ser explorada com crianças.
Os interessados em contratar o artista para cursos ou conhecer suas obras vivas podem procurar seu ''ateliê'', que fica na rua 13 do Jardim Maracanã, na divisa com o Jardim Olímpico. Mas é bom destacar: até para receber visitas, ele respeita o ritmo da natureza. Os melhores horários para visitação são até às 10 da manhã ou depois das 15 horas. ''O sol forte judia muito das plantas''.

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