A pilha de processos da lavagem de dinheiro é um abacaxi difícil para a Procuradoria de Justiça de Cascavel descascar. A instituição dispõe de apenas um funcionário para fazer a compilação dos dados e buscar as informações para montar processos que chegam a ter mais de 600 páginas. Tudo é feito pelo estudante de direito Rogério Marques. É ele quem faz a devassa nas contas suspeitas, consulta Receita Federal, Ministério Público Federal, os bancos e tenta descobrir a origem dos depósitos. ‘‘Para montar o processo uso uma carroça’’, diz. É assim que ele chama o seu computador 386, que só chegou até a procuradoria porque foi apreendido pela Receita Federal.
O assistente afirma que todo o material de escritório usado em Cascavel vem da procuradoria de Curitiba, a responsável pelas procuradorias do Estado. ‘‘Muitas vezes somos obrigados a comprar materiais com o dinheiro do nosso próprio bolso’’, conta. Outro problema ainda mais grave, segundo Marques, esbarra na burocracia. Oficialmente, a Procuradoria de Justiça de Cascavel não existe. ‘‘Essa procuradoria ainda não foi oficialmente criada. Os funcionários que trabalham aqui são todos concursados pelo governo federal e não têm direito a funções gratificadas’’, reclama.
‘‘É com essa estrutura que estamos tentando descobrir crimes que já lesaram os cofres públicos em, pelo menos, três bilhões de dólares’’, exalta-se. (P.S.M. e A.C.)

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