A arma contra greves nas polícias
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de junho de 2004
Fausto Macedo<br>Agência Estado 
São Paulo A Força Nacional de Segurança Pública grupo tático, uniformizado e armado, cuja criação foi aprovada sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agir nas regiões em que as polícias entrarem em greve poderá ser muito exigida logo que sair do papel. Em vários Estados, cresce a ''insatisfação'' e ''desalento'' de policiais militares e civis diante da resistência dos governos à concessão de reajustes salariais.
Em Alagoas, os civis interromperam os trabalhos há duas semanas por tempo indeterminado. Eles reivindicam reposição de 35% referentes às perdas dos últimos dois anos. São 2,1 mil policiais civis no Estado. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas, a greve atinge todas as delegacias da capital e algumas do interior. Já o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, diz que a greve não está comprometendo a segurança da população. O governador Ronaldo Lessa (PSB) já declarou que não tem como atender a reivindicação das categorias.
No Piauí, independentemente da decretação de ilegalidade e inconstitucionalidade da greve na PM, os soldados insistem em se manter aquartelados para pressionar o governador Wellington Dias (PT) a autorizar incorporação de R$ 130 em seus holerites.
Em pelo menos outros dois Estados Maranhão e Ceará é forte a ameaça de deflagração de greve. A tensão cresce nas delegacias e nos quartéis. Os maranhenses estão dispostos a parar caso o governo não cumpra acordo firmado, no final do ano, de reajuste de 25% a ser pago até julho deste ano. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Maranhão, Ronald Ribeiro.
As categorias que compõem a Polícia Civil realizaram manifestações em dezembro e permaneceram acampadas durante dez dias em frente ao Palácio dos Leões, sede do governo, em São Luís, até conseguir audiência com o gerente de Segurança Pública, Raimundo Cutrim, que intermediou as negociações com o governador José Reinaldo Tavares (PFL). Os PMs não falam em greve, mas protestam contra os baixos salários. Um soldado ganha R$ 800 no Maranhão.
No Ceará, greve é assunto em pauta para os policiais civis. O presidente do sindicato da categoria, Weldo Jorge Queiroz, disse que poderá acontecer no Estado o mesmo que ocorreu em Minas e no Piauí. ''Realizamos três assembléias e algumas reuniões com o governo, mas os acordos não foram cumpridos.'' Os policiais civis querem aumento de 39%. Em maio, o Ceará enfrentou greve dos delegados. A Justiça decretou ilegalidade do movimento e eles retornaram ao trabalho.
A Força de Segurança será integrada à Polícia Federal, reunindo policiais qualificados dos Estados e do Comando de Operações Táticas da PF. O governo quer evitar envio das Forças Armadas para ajudar as polícias estaduais no combate ao crime, como aconteceu recentemente no Rio, no Piauí e em Minas. ''O objetivo é ter uma força que tenha condições de apoiar os Estados quando houver necessidade de auxiliar as polícias'', disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix.(Colaboraram Ricardo Rodrigues, Luciano Coelho, Flávia Moura e Carmen Pompeu/AE)


