A angústia nas portas do IML
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
O momento da morte é sempre de tristeza para quem perde um amigo, um familiar, uma pessoa querida. Tudo se torna ainda mais difícil quando a morte acontece de maneira brutal, como em acidentes ou assassinatos. Conforme a legislação brasileira, o corpo precisa ser submetido a uma perícia técnica, a qual vai auxiliar a polícia na investigação do motivo do óbito. Em outras palavras, antes de ser preparado para o velório e sepultamento, o cadáver deve passar pelo Instituto Médico Legal (IML). É aí que começa o trabalho dos peritos da Polícia Científica e, muitas vezes, a angústia de quem aguarda do lado de fora do IML.
Foi assim com a família do agente penitenciário Francisco Gonçalves Filho, executado em frente à sua casa com 19 tiros de revólver no dia 22 de janeiro. Abalado com a tragédia, o irmão da vítima, José Gonçalves Neto, teve que esperar 12 horas desde o momento do assassinato até a liberação do corpo, na manhã do dia seguinte.
''Fomos bem atendidos no IML, o problema é que não tinha nenhum médico por lá durante a madrugada. Há também o problema da falta de uma máquina de radiografia. Tiveram que levar o corpo do meu irmão para o Hospital Universitário (HU) para que pudessem fazer o exame. Tudo o que queríamos era fazer o velório o mais rápido possível. É difícil saber que o corpo está lá dentro (do IML), onde é somente mais um número'', queixou-se Neto.
O diretor administrativo do IML, Fernando Piccinin, admitiu a falta um aparelho de Raio-X. Segundo ele, o número de médicos legistas também poderia ser maior. No IML de Londrina, que atende a 60 cidades, somando uma população de aproximadamente um milhão de habitantes, trabalham nove médicos legistas. Em Curitiba, para atender a uma população de dois milhões de habitantes, o IML conta com 78 legistas. ''Dez profissionais aprovados em concurso público devem ser convocados em breve, isso vai nos ajudar'', reiterou Piccinin.
No entanto, em relação às queixas de demora feitas por algumas famílias, ele relatou que mesmo com a contratação de mais profissionais e a aquisição de equipamentos, isso deve continuar acontecendo. O motivo é a imposição do Artigo 162 do Código de Processo Penal Brasileiro. ''A legislação estabelece que devemos esperar seis horas após o momento da morte para iniciarmos a perícia no corpo'', justificou.
De acordo com o coordenador do departamento de necropsia do IML de Londrina, Miguel Yoneda, o prazo de seis horas após a constatação do óbito é necessário por que alguns sinais começam a se evidenciar no corpo após esse período. Entre tais sinais está a hipostase, que são manchas violáceas que permitem ao perito evidenciar em qual posição o indivíduo estava quando morreu. ''Também acontece a midríase, que é a dilatação e fixação da pupila. Com esses e outros sinais podemos definir o óbito categoricamente'', informou Yoneda.
Para Piccinin, além de atender às exigências da lei, é preciso lembrar que a perícia vai servir de subsídio para o trabalho policial. ''Não adianta nada fazer o serviço de forma atropelada e depois ter que soltar algum bandido por falta de prova pericial'', finalizou.
A FOLHA tentou falar com o diretor-geral do IML em Curitiba, porém a informação da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança do Paraná (Sesp) foi de que ele estaria em um atendimento médico e não poderia atender à reportagem.


