Qualidade e segurança. Esses são os motivos que levam a maioria dos consumidores a optar pela água mineral em detrimento da água tratada. O que muita gente não sabe é que a opção pelo natural pode não ser a melhor escolha, principalmente se não forem tomados alguns cuidados com o produto. Uma lei municipal aprovada no início desta semana levantou a polêmica do transporte e armazenamento da água mineral em Londrina.
A legislação proíbe, por exemplo, práticas muito comuns nas ruas de Londrina: galões transportados a céu aberto e até junto com botijões de gás. A restrição objetiva preservar a qualidade do produto e evitar contaminações. O transporte a céu aberto, principalmente em altas temperaturas, pode mudar a cor e o gosto da água. O transporte com o gás também incorre no risco do cheiro contaminar a água.
Isso acontece porque, ao contrário da água tratada, a água mineral não passa por nenhum processo de desinfecção. Assim, contém bactérias e outros microorganismos e é mais suscetível ao ambiente.
''A água mineral tem dois meses de validade e a incidência solar pode prejudicar o produto, tornando-o esverdeado e mudando seu gosto''. O alerta vem de gente do ramo, Renato Magalhães, proprietário do Água & Cia. O esverdeamento da água é causado pela proliferação de microorganismos, como algas, que existem em pequenas quantidades e naturalmente no produto mas que sob o calor se proliferam mais rapidamente.
É por isso que a água tem validade como outro produto qualquer. Antes de aberto o recipiente, a validade é de dois meses desde que respeitadas as normas de armazenamento, depois a qualidade do produto varia. ''Se você deixa na geladeira tem uma validade, se deixa fora outro'', afirma.
Magalhães afirma ser favorável à nova legislação. ''Acho que é uma boa pois essas medidas vão gerar mais qualidade para o produto, o que é bom para todo mundo'', afirma.
Opinião semelhante tem o proprietário da distribuidora Primo, José Carlos da Silva. ''Quem é idôneo não tem porque se preocupar, na verdade isso é bom para acabar com o atravessador e quem não faz a coisa direito e ainda queima a marca que a gente vende. Já tive casos de cliente dizendo que dessa marca não leva porque a água é ruim'', denuncia.
Com vinte anos no ramo, ele acredita, inclusive, que a lei demorou a chegar e cobra rigor na fiscalização. ''Vamos ver como é que vai ser essa cobertura em motos, tem que ser uma coisa bem ajeitada ou não adianta nada'', afirma.
A responsabilidade sobre o produto, entretanto, não depende apenas de quem vende. O consumidor também precisa ficar atento à limpeza frequente de bebedouros e práticas para evitar contaminações. Algumas empresas que entregam água já se adiantaram. ''Nossos entregadores são orientados a fazer a desinfeção do galão e do bebedouro antes da troca'', diz Magalhães.

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