Somente quatro das 234 lojas do Shopping Popular de Londrina (Camelódromo) fiscalizadas pela Receita Federal na Operação Capitão Gancho 2, deflagrada há exatamente dois meses, tiveram sua total legalidade comprovada. As demais, que representam 98% do total, foram autuadas pelos crimes de contrabando e descaminho.
O balanço final da operação foi divulgado ontem e contraria um argumento bastante defendido pelos camelôs e seus simpatizantes à época das apreensões: o de que todos estavam pagando pelo erro de ''poucos''. Até o prefeito Nedson Micheleti (PT) declarou, ao disponibilizar financiamento público para recompor as perdas dos comerciantes, que ''a grandissíssima maioria das lojas'' estava vendendo produtos com legalidade.
Durante a operação, executada no dia 12 de julho com apoio da Polícia Federal (PF), 305 boxes foram fiscalizados. A diferença em relação ao número de lojas decorre do fato de um único lojista deter até quatro boxes, em alguns casos. Conforme o relatório da Receita, 144 comerciantes (61% do total) sequer se apresentaram ao órgão para requerer a devolução de mercadorias retidas. Os outros 90 entregaram notas fiscais de toda ou parte da mercadoria, sendo que apenas quatro conseguiram reaver seus produtos integralmente.
Após esgotados os prazos para reclamação, a Receita deu por apreendidos 434.657 itens. Desses, pouco mais de 237 mil são CDs e DVDs gravados e outros 31 mil são mídias (virgens). Também constam da relação 25 mil peças de vestuário, 20 mil eletrônicos e quase 10 mil brinquedos, além de produtos de bazar, informática, bebidas, cigarros e 44 caixas de medicamentos.
Em valor de custo, o montante das apreensões totaliza R$ 1,5 milhão. Se vendidas, essas mercadorias poderiam render até R$ 3 milhões. O maior valor apreendido numa única loja foi de R$ 99 mil.
''Depois de lavrados os autos de infração, ainda demos um prazo de 20 dias para apresentação de recurso. Mas foram poucos os pedidos'', afirmou o delegado-chefe da Receita, Sérgio Gomes Nunes. Segundo ele, as mercadorias poderão ser destruídas, doadas ou removidas para outro local, uma vez que o depósito local está no limite. Já os autos de infração devem ser remetidos até a próxima sexta-feira à PF, que poderá indiciar os responsáveis também por outros crimes, como o de falsificação.
A Receita levantou ainda que 79 lojas do Camelódromo não possuíam CNPJ ou apresentavam problemas cadastrais. ''Não ter CNPJ, em si, não é infração. Mas é considerado ilícito fiscal se alguém estabelecer empresa e praticar atos como tal'', explicou o delegado-adjunto do órgão, Davi Oliveira. Nunes observou, porém, que a ausência do cadastro pode demonstrar ausência de alvará. Nesse caso, caberia à prefeitura fiscalizar e impor possíveis sanções.
O delegado-chefe avisou que ''brevemente vocês terão notícias de outras operações''. A reportagem da FOLHA não conseguiu falar com o diretor do Camelódromo, Rogério Gonsalez, até o fechamento da edição.

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