O concurso público da Comurb, cujas inscrições terminam hoje, foi marcado para corrigir uma irregularidade ocorrida no começo do ano, quando Cléber Tóffoli era o presidente da companhia. Na época, 212 funcionários foram contratados sem a realização de concurso ou mesmo testes seletivos. O caso chegou à imprensa através de denúncia do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina). Cléber Tóffoli pediu demissão do cargo e dispensou os funcionários.
Dos 212 contratados, 96 permaneceram na Comurb, a pedido do atual presidente, Kakunen Kyosen, para que dessem continuidade aos serviços, principalmente fiscalização e arrecadação nos terminais de transporte coletivo. ‘‘Eles não ficaram porque quiseram’’, observa o presidente da companhia. ‘‘Ficaram porque o sistema ia parar se não eles continuassem. Segundo ele, houve um critério rigoroso para indicar quem ia ficar, através de seleção interna. Tanto que até o Ministério Público se manifestou favoravelmente’’, destaca Kakunen Kyosen.
Os 96 funcionários que ainda permanecem na Comurb não só vão poder participar do concurso como também estão livres da taxa de inscrição - assim como todo o funcionário público municipal, da administração direta e indireta. Kyosen não acredita que isso possa ser caracterizado como um privilégio. ‘‘A isenção da taxa para funcionários é praxe em todas as administrações’’, diz o presidente. Ele cita como exemplo a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a própria Prefeitura, que não cobra taxas de inscrição dos servidores em concursos.
Ainda sobre os funcionários contratados irregularmente, o presidente da Comurb garante que, a princípio, todos serão demitidos em dezembro: apenas os que passarem no concurso vão permanecer na empresa.
Para apurar as irregularidades na contratação dos 212 funcionários foi aberto inquérito administrativo na Comurb, que concluiu que realmente houve ‘‘improbidade administrativa’’.
Já a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público está investigando denúncias de desvio de dinheiro da Comurb: cheques de pagamento a funcionários fantasmas da Comurb, contratados irregularmente, poderiam estar sendo depositados nas contas de alguns vereadores.
(Lúcio Horta)

mockup