95% deles já são conhecidos
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Da Redação 
César AugustoL.P.: o mais novo do arrastãoTodos os menores apreendidos durante o arrastão são encaminhados ao Conselho Tutelar, onde conselheiros e outros comissários de menores fazem plantão. Quando o grupo chega, os conselheiros já identificam facilmente os reincidentes. 95% deles são conhecidos, atesta o conselheiro Eduardo Miguel. Ele relata que uma das raras exceções é o garoto índio, pego na Feira da Lua. Na sua opinião, a rua fascina os menores por não impor obrigações. Eles não precisam estudar e contam com a ajuda da população para se alimentar.
No Conselho, os menores passam por uma triagem e, na mesma noite, são devolvidos para as famílias, que precisam assinar um termo de responsabilidade. As crianças e adolscentes de outros municípios passaram a noite em casas-abrigo; ontem mesmo seriam devolvidos às suas cidades de origem. É o caso de I., 15 anos, que veio de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Eu não moro mais lá, agora moro aqui em Londrina, alega. O presidente do Conselho, Júlio Botelho, desmente. Nós já o conhecemos.
Além de menores de outros municípios, também foi mandado para uma casa-abrigo o garoto A., 17 anos. Ele mora na rua há três anos, observa Júlio Botelho. O garoto afirma não saber por que foi apreendido. Eu estava quieto no canto, eles já chegaram metendo a mão, afirma. Ele conta que já passou diversas vezes pelo Serviço de Triagem e Encaminhamento de Menores (Setrem) por ter praticado furtos.
Em meia hora é feita a triagem do primeiro grupo de menores apreendidos. Logo em seguida começa a devolução deles para suas famílias. O garoto O., 14 anos, que foi apreendido por estar cuidando de carros na avenida Rio de Janeiro, é entregue à família no próprio conselho. O seu cunhado, André Roberto, 22 anos, que estava com ele na rua, assina o termo de compromisso e promete levar o garoto para casa. Não vou mais andar com ele na rua, não sabia que era proibido.
No jardim Marabá (zona leste), é entregue P., 12 anos. Ele estava na rua, cheirando cola e já passou por vários programas, relata Júlio Botelho à mãe do menor, Vanilde Cristina. Ele explica que está sendo feito um trabalho de abordagem a menores de rua e que o caso de seu filho será encaminhado ao Ministério Público. Vanilde Cristina, que tem mais quatro filhos pequenos, alega não poder controlar P. Eu não posso fazer nada, ele gosta da rua, afirma.
L.P., de oito anos, o mais novo a ser apreendido durante o arrastão, é devolvido à mãe, que mora em um barraco no jardim Santa Fé (zona leste). A justificativa da mãe, que se identifica como Maria, é que o menino não obedece ninguém. Eu já conversei, dei conselhos e até umas cintadas, mas é difícil.
Maria explica que trabalha e que, por isso, não há necessidade de seu filho ficar pedindo esmolas na rua. Graças a Deus não falta comida aqui. Ela desmente o filho e diz que ele não traz dinheiro para casa. Ele traz doces, brinquedos e eu sempre quero saber como ele arranja essas coisas. Não sou uma mãe irresponsável.
(Lucília Okamura)


