90% das escolas têm problemas estruturais
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
A placa toda enferrujada quase que irreconhecível logo na entrada da Escola Municipal Carlos Zewe Coimbra, localizada no Jardim Marabá (zona leste de Londrina), indica a situação precária em que todo o prédio se encontra. São pisos soltos, paredes descascando, muretas quebradas, forros embolorados devido às infiltrações ou corroídos por cupins, vidros quebrados e alambrados destruídos.
Os problemas são os mais variados e o pior é que esta não é a única escola de Londrina que apresenta a estrutura física totalmente incompatível com um ensino de qualidade. Segundo um levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Educação, 90% das 103 escolas das áreas urbana e rural apresentam problemas estruturais físicos e precisam de manutenção.
De acordo com a secretária Maria Inês Galvão, os problemas afetam todas as regiões da cidade e a principal causa é a falta frequente de reparos. ''Muitas escolas passaram anos sem nenhum tipo de atenção nesse aspecto e o resultado é esse: quase todas as escolas com vários problemas físicos e que precisam urgentemente de reformas'', disse.
Fundada em 1972, a Escola Municipal Carlos Zewe atende em tempo integral 250 alunos, do EI6 ao 5º ano, de diversos bairos da região. De acordo a diretora geral Adriana Gonçalves, há pelo menos dez anos a instituição não passa por uma boa reforma. Para evitar que os problemas se acumulem, Adriana afirma que tem realizado cada reparo mais urgente aos poucos.
''A gente faz o que pode, mas mesmo assim a escola se encontra em uma situação muito difícil e isso afeta bastante a qualidade do ensino a que a gente se propõe'', afirma a diretora. ''Essas crianças já vivem em bairros carentes, têm uma realidade difícil morando com a família e precisam, no mínimo, de um ambiente escolar que os estimule a aprender.''
Adriana detalha que, no ano passado, parte do assoalho do pátio foi ''engolido'' e o forro também começou a ceder. ''Os buracos eram tão grandes que cabia uma mão e uma criança poderia, com certeza, acabar se machucando'', contou. ''Hoje, a gente percebe que os moradores respeitam muito mais a escola, não estão mais depredando, o problema mesmo é que a prefeitura não tem feito a manutenção necessária.''
Alergia
Na Escola Municipal Osvaldo Cruz, no Jardim Santa Joana (zona sul), o cheiro do mofo nas salas de aula e as lâmpadas comprometidas em decorrência das infiltrações são o que mais incomodam alunos e professores. ''Crianças que têm alergia não aguentam ficar dentro da sala'', revela a professora Norma Mendonça Pessoa.
Além disso, a quadra de esportes está em péssimo estado, o prédio apresenta rachaduras, um quadro-negro foi danificado por causa de infiltração da chuva, a fiação elétrica fica exposta e o pior: as crianças estão sujeitas ao risco de incêndio devido à sobrecarga elétrica, pois a escola não tem capacidade suficiente para a utilização dos vários aparelhos necessários.
Norma conta que em setembro deste ano houve um princípio de incêndio no relógio de energia, causando um grande susto. ''Foi tudo muito rápido, a gente só viu aquelas chamas do vidro da sala de aula e todo mundo ficou apavorado. Uma sensação horrível'', descreveu a professora.
Ela acrescenta que os alunos reclamam constantemente das péssimas condições do prédio e demonstram bastante desânimo por não terem um ambiente melhor. A escola funciona há 64 anos no bairro e atende 490 alunos, do EI6 ao 5º ano, nos períodos da manhã e tarde.


