90% das cidades têm problemas ambientais
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2008
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Entre 2002 e 2008, o Brasil não teve avanços nos principais problemas da causa ambiental. Pelo contrário: índices como poluição do ar e da água, degradação de áreas legalmente protegidas e incidência de assoreamento de corpos d'água aumentaram. Com isso, chegou-se à conclusão de que 90,6% dos 5.564 municípios brasileiros apresentem uma ou mais ocorrências de problemas no meio ambiente.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Informações Municipais (Munic), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo, que chega este ano a sua sétima edição, investigou junto a cada uma das prefeituras brasileiras temas como meio ambiente, habitação, transporte público, gestão pública, entre outros. Os dados que mais chamam a atenção tratam do meio ambiente.
De acordo com o estudo de 2008 do Munic, 5.040 municípios brasileiros tiveram algum problema ambiental nos últimos 24 meses. Entre os impactos ambientais mais citados estão as queimadas, presente em 3.018 cidades (ou 54,2% delas), o desmatamento, ocorrência em 2.976 municípios (ou 53,5%), e o assoreamento de corpos d'água, que acontece em 2.950 (ou 53%) cidades brasileiras.
Os três principais problemas citados têm relação entre si, diz o estudo. O assoreamento acontece em decorrência de problemas no solo, causados por queimadas e desmatamento. O assoreamento é a obstrução de lagoas, rios, baías ou outros corpos d'água por materiais orgânicos ou minerais. O resultado é redução da profundidade e velocidade das correntezas, dificultando o tráfego de barcos, diminuindo a possibilidade de pesca e causando inundações.
Atualmente, a média é de 4,4 problemas ambientais por município. A comparação com os dados do Munic de 2002 acedem um sinal de alerta para o País. Em seis anos, os índices da maioria dos problemas ambientais tiveram crescimento nos municípios, mesmo acréscimos que pequenos. A poluição do ar cresceu de 20% em 2002 para 22,2% este ano. O mesmo aconteceu com áreas legalmente protegidas e que foram degradas, cujo crescimento passou de 20,2% para 21,6%, e com a poluição da água, que passou de 38,1% em 2002 para 41,7% em 2008.
Outros problemas, porém, tiveram quedas ou se mantiveram estáveis. Foi o caso do assoreamento, que ocorria em 52,9% dos municípios em 2002 e agora está presente em 53% das cidades. O decréscimo aconteceu em relação a contaminação do solo, que teve queda de 33% para 24,2%, e alterações na paisagem, que passou de 35,1% para 17,8%.
Ao mesmo tempo que apenas 10% das cidades do Brasil não têm problemas no meio ambiente, somente 18,7% delas possuem estrutura para enfrentar danos ambientais. O Munic entende que para enfrentar os problemas, é necessário ''estrutura ambiental, recursos e um fórum onde possam se reunir o poder público e a sociedade, para discutir e deliberar sobre políticas ambientais''. Isso significa o município possuir uma secretaria ou departamento de meio ambiente, recursos próprios para a área e conselho de meio ambiente ativo.
A Região Sul encontra problemas principalmente em relação à água. De acordo com a pesquisa, 43,2% dos municípios da região disseram apresentar problemas de poluição de água. A escassez foi citada por 53,5% dos muncípios da região, superando até o Nordeste (52,3%). Já contaminação do solo acontece em 25,9% cidades da Região Sul, onde apenas 28% dos municípios têm estrutura para enfrentar problemas ambientais.


