9 mil famílias aguardam a terra
Arquivo FolhaOs sem-terra protestam contra a violência e pedem assentamentosExistem hoje, no Estado, 9 mil famílias em 90 acampamentos esperando para serem assentadas, segundo dados do MST. Cerca de 40%, de acordo com a Superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estão em áreas que serão aproveitadas para o assentamento de sem-terra. As restantes, deverão sair destas terras e ir para outros locais a serem determinados pelo órgão.
O superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, prefere não estabelecer número para este ano. Limita-se a dizer que a ‘‘meta de assentamento para 2000 é atender a demanda’’. Isto significa, segundo ele, entre 4,5 mil a 5 mil famílias. Para atender este contingente, o órgão precisa obter entre 60 a 70 mil hectares de terra para fins de reforma agrária.
Além dessas quase 5 mil famílias, os 40% dos sem-terra acampados em áreas que serão usadas para reforma agrária, também terão a situação legalizada. Se isto realmente acontecer, o conflito pela terra no Paraná poderia chegar ao fim. Se forem considerados os dados do MST, 40% de 9 mil acampados significam 3,6 mil famílias. Somados às 5 mil famílias, resultariam em 8,6 mil assentamentos neste ano. Dados do Incra, entretanto, apontam apenas 6,5 mil famílias acampadas. Quarenta por cento deste número significaria 2,6 mil famílias, o que somaria cerca de 7,5 mil assentamentos.
MST, governo do Estado e Incra, no entanto, discordam sobre o número de famílias assentadas no ano passado. O governo do Estado diz que atingiu a meta de assentar 3 mil famílias. O MST considera o assentamento de apenas 880, que foram transferidas para terras legalizadas e receberam projetos de investimentos. Outras 2 mil famílias, segundo o movimento, já estavam em áreas legalizadas e só receberam investimentos, e outras mil teriam sido instaladas em terras mas ainda não receberam a estrutura necessária.
O superintendente do Incra, por sua vez, diz que em 99 o Incra legalizou a situação no campo de 5.328 famílias. Destas, 3.228, a maioria posseiras, tiveram suas terras regularizadas e ratificadas. Ele lembra que a meta inicial do órgão era assentar apenas 1,8 mil no início do ano, mas que, ao tomar posse no órgão, ele considerou que o Paraná precisava de um número maior de assentamento, aumentando a meta em 99 para 3 mil.
Ele garante que o Incra conseguiu, através de desapropriações e compra de terras, cerca de 25 mil hectares, capazes de assentar 3.043 famílias. Destas, 1.962 já estão assentadas desde o ano passado. As restantes, devem receber seus terrenos até março deste ano. O processo de entrega das terras, segundo ele, atrasou porque a Justiça entrou em recesso no final do ano e as emissões de posse ficaram paradas. Nesta semana, ele está viajando para fazer mais cinco assentamentos de cerca de 500 famílias, em Palmas, Candói e Nova Cantu.

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