Os 12 distritos policiais e delegacias especializadas de Londrina encerraram 2006 com uma ''montanha'' de 6.911 inquéritos em tramitação. Somados mais os cerca de 500 que estão no cartório distribuidor do Fórum, esse número sobe para quase 7,5 mil. São investigações que foram iniciadas pela Polícia Civil e que ainda não tiveram conclusão. O acúmulo quase irracional de trabalho gera situações extremas como a de um inquérito aberto há quase 25 anos e que nunca foi concluído. No dia a dia, o trabalho se restringe aos casos mais graves ou urgentes.
Pelos números apurados pela 10 Subdivisão Policial, o 1º DP (Região Central) é onde, na média, tramita o maior número de inquéritos: 1.905. Foi também o que mais instaurou novos procedimentos investigativos no ano que passou - 444 - mas conseguiu concluir apenas 209. No 1º DP, que apenas em 2006 passou a contar com estrutura própria, é onde está também o inquérito em tramitação mais antigo da cidade. Iniciada em 1982, a investigação não foi concluída até o momento. A Polícia Civil não soube dar detalhes sobre o tal crime que já estaria prescrito pelas leis brasileiras desde 2002, quando completou 20 anos.
O 3º DP (Zona Oeste), com um total de 1.453, ocupa a segunda posição em número de inquéritos inconclusos. O terceiro maior volume de inquéritos à espera de conclusão está no 5º DP (Zona Norte), que terminou o ano passado com 1.093 investigações em andamento.
Para dar conta de tanta papelada dispondo de equipes reduzidas - há um escrivão por unidade, na maioria dos casos - os delegados passaram a eleger prioridades. Os indiciados presos, por exemplo, têm preferência porque a Justiça dá prazo de 10 dias para conclusão das investigações. Os demais esperam na fila o aparecimento de fatos relevantes para o esclarecimento dos fatos. Responsável pela compilação dos dados, o delegado-adjunto da 10 SDP, Nélson Águila, admitiu que muitos inquéritos acabam ficando parados por meses.
A Justiça, por seu lado, se viu obrigada a criar uma alternativa própria para dar vazão aos inquéritos onde o réu permanece em liberdade. A Promotoria de Inquéritos Policiais (PIP) de Londrina foi criada em 2003 e analisa atualmente quase dois mil casos.
O delegado somou à questão mais uma variante além do número elevado de inquéritos: um único fato comunicado à polícia gera pelo menos 70 outros atos relativos à chamada atividade de polícia judiciária. São diligências, ofícios, oitivas, entre outras situações, que interferem na produtividade. ''Se multiplicarmos pelos inquéritos concluídos, a Polícia Civil de Londrina realizou só no ano passado quase 100 mil atos de polícia judiciária'', calculou Águila. Outro fato que toma tempo dos delegados são as cartas precatórias enviadas por outras comarcas e que precisam ser respondidas. Só em 2006, a 10 SDP recebeu 1.057 e cumpriu 872. Outras 521 continuam tramitando neste ano.

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