Luciana Pombo
De Curitiba
Mais de 50% das 74 crianças desaparecidas em todo o Paraná em 1999 foram vítimas do desajuste familiar. Problemas econômicos e o espírito de aventura também cooperaram para que o número de registros de desaparecimentos chegasse a uma média de seis por mês, um a cada cinco dias. Sessenta e dois por cento dos casos envolvem meninos, geralmente com idades entre 9 e 10 anos. ‘‘Normalmente estes casos ocorrem durante o verão ou no período de férias escolares, quando os meninos ficam sem ter o que fazer em casa e resolvem passear, ir para a praia. Tudo sem a consulta prévia dos pais’’, afirmou Harry Herbert, delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride).
Os dados do relatório oficial do ano passado foram fechados esta semana e deverão ser encaminhados para o Departamento de Polícia Civil. Dos 74 casos de desaparecimentos registrados, apenas um não foi solucionado. O menino Giuseppe Dal Prá, de 3 anos, que desapareceu em julho de 1999, em Curitiba. De acordo com as informações policiais, Giuseppe foi levado pelo pai biológico, provavelmente para a Inglaterra. O caso ainda está sendo investigado.
Cinco por cento das ocorrências registradas no Sicride foram decorrentes de sequestro. Além de Guiseppe, que não foi localizado, foram sequestradas três crianças (duas em Curitiba e uma em Ubiratã), todas localizadas. Os corpos de outras três crianças foram encontrados em 1999. Uma delas foi morta por afogamento e as outras duas foram assassinadas.
Outro fato que chamou a atenção durante o ano passado, foi o crescente índice de casos de adoção à brasileira. Um dos mais divulgados pela imprensa foi o da suposta comercialização de um casal de gêmeos e a adoção irregular dos meninos pelo deputado estadual Edson Praczyk (PL), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.
Em comparação ao ano anterior, de 1998, o número de desaparecimentos caiu em 10%. De acordo com Harry Herbert, as cartilhas de prevenção e as campanhas educativas são alguns dos motivos da contínua queda no número de registros nos últimos três anos. ‘‘Mantemos campanhas educativas para a proteção de crianças, mas não acredito que somente este serviço possa ter feito com que o número de crianças desaparecidas caísse’’, declarou. Em 1998, foram registrados 83 desaparecimentos, um caso não foi solucionado.

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