Londrina - De 2001 a 2013 a frota de motocicletas em Londrina passou de 24.830 para 62.081 unidades, equivalente a um crescimento de 150%. Tamanha popularização vem acompanhada de números alarmantes. Dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) indicam que de janeiro até o dia 30 de abril foram registradas 1.273 colisões no trânsito, dos quais 931 envolvendo motos - 73% do total. Isso representa 8 ocorrências por dia. Neste mesmo período foram registrados 32 óbitos, 16 deles de motociclistas.
O servidor público Ednel Pedro da Silva, de 44 anos, faz parte dessa estatística de acidentes. Em abril, durante o feriado de Páscoa, ele retornava de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina) e atingiu um carro. Ele confessa que não viu que os veículos à sua frente tinham parado no semáforo da BR-369. "Quando percebi o meu erro, fiz o que pude. Fui freando e quando não deu mais para segurar soltei, pulei da moto e esperei o choque. Não sofri nenhum arranhão, mas a minha moto ficou destruída."
Silva foi uma exceção. Em situações desse tipo os condutores de motocicleta podem sofrer lesões graves e sequelas para o resto da vida. Segundo o diretor de Trânsito da CMTU, Arnaldo Sebastião, para cada morte registrada no trânsito há entre três e cinco vítimas que ficarão com sequelas para o resto da vida. "São sequelas graves em que as pessoas acabam em uma cadeira de rodas. Têm as pernas amputadas ou ficam com problemas graves nos joelhos, braços e clavículas. Isso quando a pessoa não bate a cabeça e fica com traumatismo craniano", expôs.
Ele destacou que de janeiro a abril foram registradas 217 quedas de motocicletas. "Normalmente isso acontece por excesso de velocidade, imprudência, conversão em lugar errado, ultrapassagem onde não deve ou travessia de preferencial ou mesmo por consumo de bebida alcoólica", apontou Sebastião.
Para combater o problema, ele afirma que a CMTU realiza fiscalizações com frequência e destacou as campanhas de conscientização nas escolas. "Também temos aplicado muitas multas. No ano passado foram 135 mil multas", citou. Ele, porém, não soube dizer a porcentagem destinada aos motociclistas.
Sebastião destacou que no ano passado foram registrados 4.060 colisões e em 2,8 mil havia motocicletas envolvidas. Em 2012 foram registrados 4.676 acidentes e em 3.304 havia motos envolvidas. Questionado sobre quais os pontos em que mais ocorriam acidentes ele foi enfático. "Isso acontece na cidade toda e não só no centro."

Palestras
A assistente social Jane Peralta, de 46 anos, sofreu um corte grave na perna após se chocar contra um carro. Os músculos, veias, ossos e nervos foram atingidos e ela não recuperou totalmente os movimentos da perna.
Jane sempre precisará fazer exercícios de fisioterapia em função das sequelas da colisão. Ela relembrou que no dia do acidente atravessou uma preferencial sem parar e olhar para os lados. Hoje ela ministra palestras para empresas sobre esse incidente e tudo o que ela passou a viver em decorrência disso. O acidente aconteceu quando ela tinha 13 anos.
Mototaxistas e motofretistas ouvidos pela reportagem têm relatos para contar sobre acidentes, porém dificilmente assumem a culpa. A maioria afirma que foi fechada por motoristas.

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