Blumenau - Dez horas depois da saída de Curitiba, quatro caminhões com destino a Blumenau chegaram ao Centro de Arrecadação de Donativos, um local improvisado na Vila Germânica (sede da Oktoberfest) para estocar e distribuir donativos na cidade. Foram recebidos pelos amigos Guilherme Mezari, 18 anos, Deise Campos, 20, Paulo Henrique Bezerra, 19, e João Gustavo Cardoso, 21. Os quatro viajaram de Curitiba a Blumenau para trabalhar como voluntários.
''É muito melhor estar aqui ajudando do que ficar vendo pela televisão'', explicou Deise, que é aluna do 3º ano de Relações Internacionais da UniCuritiba. O grupo chegou no sábado e na segunda-feira e, desde então, dedica mais de dez horas por dia às tarefas do centro de arrecadação. ''Hoje a gente ajudou a limpar o outro barracão'', contou Mezari. Na hora que a reportagem da FOLHA chegou, o quarteto ajudava a descarregar uma caminhonete cheia de roupas.
''Por dia temos uma média de 700 voluntários trabalhando aqui'', explicou o coordenador do centro, Carlos Volles. O desafio, disse Volles, é manter tudo organizado. ''Não precisamos de muita gente, mas é preciso que quem está aqui realmente coloque a mão na massa'', disse.
A estrutura da Vila Germânica foi montada ''da noite para o dia'', revelou Volles. ''Esse é um esforço que teremos que fazer por seis meses, talvez um ano'', prevê. O que o povo de Blumenau mais precisa? ''Alimentos, porque sem pasta de dente dá para viver, mas sem comida, não'', respondeu.
''O Tribunal de Contas do Paraná se solidariza com as vítimas das enchentes em Santa Catarina'', anuncia no sistema de som, Jonas Cassiano. Ele é proprietário da empresa que administra o som durante a Oktobertfest, mas, com a cidade parada, ele decidiu instalar o equipamento para atender ao centro. ''Não fui atingido, mas vejo que a cidade está precisando da minha ajuda'', disse. (R.C.F.)

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