Cerca de 700 pessoas compareceram ontem à tradicional missa de Primeiro de Maio, realizada no Morro do Anhangava, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Para participar da cerimônia, que aconteceu a 1.200 metros acima do nível do mar, os fiéis, e também os curiosos, tiveram que caminhar por quase uma hora pela Serra da Baitacá, sujando-se no barro e equilibrando-se em pedras.
‘‘O esforço dos fiéis é recompensado pela integração com o meio ambiente e pela proximidade com Deus’’, disse o padre Evaldino Borges Dias. Realizando a missa nos últimos três dos 48 anos do evento, o padre diz que muitas pessoas fazem a caminhada como forma de purificação espiritual. ‘‘Como existem os romeiros de Aparecida do Norte (SP), que mostram a fé através da penitência, aqui, de forma mais atenuada, há aqueles, que mesmo em condições adversas, mostram seu amor ao Senhor’’, diz.
Apesar da visão positiva do padre, apenas 100 das 700 pessoas que subiram o morro acompanharam a cerimônia que durou 40 minutos. A maioria ficou conversando, escutando música ou montou um acampamento. ‘‘A tradição da missa ainda dura, mas ela mudou muito nos últimos anos’’, diz o ministro da Eucaristia da Paróquia de Quatro Barras, Zeferino Ferdinando Zanchettine, que trabalha no local há 25 anos. Ele lembra que antigamente as famílias predominavam. ‘‘Hoje desperta mais o interesse dos jovens, que não se sentem tão ligados à religião’’, afirma Zanchettine.
Mesmo assim, houve gente como o aposentado Carlos Ribeiro, de 65 anos, que mora em Piraquara e se esforçou para manter a tradição. ‘‘Venho à missa há 25 anos, mesmo doente ou cansado’’, diz Carlos. Ele conta que este ano decidiu ir por um motivo especial. ‘‘Resolvi rezar a Nossa Senhora Aparecida do alto do morro, porque queria dedicar a ela a minha recuperação de uma cirurgia grave’’, afirma Carlos, que retirou um tumor do pulmão. É a tradição também que leva a dona de casa Rosalba Andreatta, 59 anos, ao cume do Anhangava. ‘‘Venho aqui há 32 anos para me purificar do corre-corre de todo dia’’, diz.
‘‘A missa não é apenas para os velhos, nós jovens também sentimos a necessidade de rezar aqui do alto’’, diz a estudante Alessandra Gonçalves, de 16 anos. Ela afirma que este ano foi à missa para apoiar o padre Evaldino: ‘‘Se ele pode subir aqui, mesmo estando com dor nas costas, eu também posso me esforçar um pouco’’.Fiéis e curiosos enfrentam caminhada de quase uma hora para assistir à tradicional missa do Dia do Trabalho

Mauro FrassonFéPadre Evaldino: ‘‘Esforço de fiéis é recompensado por integração com meio ambiente e proximidade com Deus’’Cerimônia
acontece há
48 anos no
mesmo local

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