Curitiba - O nefrologista Roberto Pecoits-Filho diz as soluções apresentadas pela pesquisa realizada em Curitiba é, porém, apenas a ponta do iceberg em se tratando de problemas renais. Estima-se que 12 milhões de brasileiros sofram de deficiência nos rins em fases iniciais, quando é possível realizar um tratamento menos extremo que a hemodiálise.
A hemodiálise assume a função dos rins, filtrando o sangue de substâncias que podem prejudicar o corpo, como a uréia, o potássio de sódio e a creatinina. Comumente, a hemodiálise é realizada em sessões de quatro horas, três vezes por semana - mas a frequência pode variar conforme a necessidade do paciente. Atualmente, 80 mil brasileiro fazem a diálise - ou seja, têm problemas crônicos de rim que são incuráveis.
Segundo o nefrologista e presidente do XXIV Congresso Brasileiro de Nefrologia, Miguel Riella, entre 10% e 15% da população brasileira possui rins que não funcionam como deveriam. Destes quase 12 milhões de adultos, 70% não fazem idéia de que possuem complicações renais. O silêncio com que a doença atinge as pessoas é o foco do congresso.
Riella explica que hipertensos, diabéticos e pessoas com casos na família têm mais chance de desenvolver problemas renais. Mesmo assim, grande parte da população só descobre isso quando o rim já perdeu cerca de 70 a 80% de sua função. ''Aí, não há mais volta'', diz o nefrologista. Nestes casos, a solução é a diálise ou o transplante do órgão.
Como é difícil detectar o problema, os nefrologistas receitam a mesma coisa: prevenção. Dois exames simples, cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), podem acusar insuficiência renal. O exame de sangue deve ser realizado para detectar a presença de creatinina no organismo. Se o sangue tiver a substância, provavelmente o rim não funciona como deveria. O mesmo acontece se o exame de urina detectar a presença de vitaminas. Isso não deve ocorrer.
Entre os sintomas, Riella diz que os mais comuns são a anemia, o inchaço no corpo e uma fraqueza constante. ''Mas quando chega nesse estágio, a pessoa percebe que o problema é irreversível'', alerta. Pecoits-Filho concorda: ''a prevenção ainda é a melhor saída''.

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