Participante ativo do desenvolvimento social e econômico da cidade, o Aeroclube de Londrina completa hoje 70 anos. São sete décadas cruzando céus, gerando oportunidades e formando profissionais da aviação. Um trabalho que garantiu à instituição um reconhecimento, em 2007, como uma dos melhores do Brasil pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Se não fossem as iniciativas da sociedade civil para dar estrutura ao hangar e pista de pouso, sua construção poderia levar anos, ao contrário do que aconteceu. As obras duraram algumas semanas. Isso por consequência da doação de uma área próxima ao Patrimônio Espírito Santo, feita pelos irmãos Mábio e Edson Palhano, pelas madeiras doadas por serrarias e mão de obra oferecida pelo prefeito da época, Miguel Blasi.
''As orientações eram para a prefeitura construir uma pista e um hangar que o governo federal cederia o avião. Depois da instalação na Aviação Velha (Zona Sul), o avião que deveria chegar na cidade não encontrou a pista e pousou em uma plantação de café. O piloto nada sofreu, mas a aeronave ficou totalmente destruída'', recorda o coronel-aviador R1, Humberto Cavalcante Marcolino, presidente do Aeroclube.
Por consequência desse acidente, a entrega oficial do primeiro avião, um Piper Cub J-3, só ocorreu em 1º de julho de 1945. A aeronave foi batizada de ''Londrina''.
Hoje o Aeroclube é referência por ser uma escola de aviação com vocação na formação de pilotos. Desde sua fundação, já passaram por lá 5.625 alunos. Em 2010, foram 295 formandos entre os cursos teóricos e práticos, totalizando 4.014 horas de voo.
''Temos cursos de pilotagem (privado, comercial, instrutor de voo e de linha aérea), além dos cursos de comissário e mecânico aeronáutico. Este último é extremamente importante, pois para cada piloto é preciso ter três mecânicos e esse mercado anda sofrendo com a falta de mão de obra'', revela.
Não é à toa então, que os cursos têm atraído alunos de todo o país. Como é o caso de Patrícia Dantas Lima Santana, 25 anos, que veio de Aracaju (SE) para estudar Ciências Aeronáuticas na Universidade Norte do Paraná (Unopar) e se especializar em instrução de voo. Patrícia foi a primeira instrutora a se formar na instituição.
''Quando viajei de avião pela primeira vez, aos 12 anos, pedi para conhecer a cabine do piloto. Meu primeiro voo aqui no Aeroclube foi ainda mais emocionante. Gritava de euforia, pois estou trabalhando com aquilo que sempre sonhei'', diz.
Para Patrícia, a divulgação dos cursos e o mercado em ascensão, têm aumentado o interesse de mulheres pela profissão. Como conta Patrícia Ferreira Garcia, 49, que há alguns anos se matriculou no curso de piloto privado, mas interrompeu as aulas por conta da vida pessoal. ''Casei e tive que criar meus filhos. Agora que eles estão crescidos, resolvi voltar porque adoro voar. Minha satisfação profissional está aqui'', revela.

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