70 anos - Pesquisador contesta a história de Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de dezembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
''Sem querer tirar o mérito dos ingleses, não foram eles que fundaram Londrina''. A frase com que Walter Durães, 60 anos, abre sua entrevista à Folha demonstra o objetivo perseguido por este historiador autodidata: corrigir o que, segundo ele, é uma injustiça da historiografia londrinense.
Além de levar o sobrenome de uma das famílias pioneiras do município, cujo legado vai da agricultura cafeeira ao comércio, Durães sempre se dedicou a desencavar a história de Londrina por meio de acareações entre documentos, livros, depoimentos e relatos dos próprios ascendentes. Tendo como formação oficial apenas o 1º ano ginasial, ele guarda na memória um arquivo impressionante de fatos, nomes, datas e números.
Com base em suas pesquisas, Durães acredita que ''o grande artífice do surgimento de Londrina foi Afonso Alves de Camargo (1873-1959), o introdutor da cafeicultura nessas terras''. De acordo com o pesquisador, quando a caravana da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) chegou ao local que se chamaria Londrina, em agosto de 1929, os ingleses chefiados por Craig Smith já encontraram aqui cerca de 40 mil pés de café em fase de floração. O responsável pelas áreas cultivadas era Afonso de Camargo, nascido em Guarapuava e então presidente do Estado do Paraná (como era denominado o cargo na época).
O plantio teria sido iniciado em 1927, diz Durães, na Fazenda Quati, onde mais tarde se estabeleceria o Jardim Shangri-lá (Zona Oeste). ''Meu avô, Bertoldo Durães, foi chamado para gerenciar a fazenda de 1927 a 1930. Neste último ano, Camargo foi destituído da presidência do Estado após o golpe de Getúlio Vargas e confinado no Rio de Janeiro. De lá, deu ordem para que suas terras fossem vendidas ao primeiro interessado. E quem se interessou foi justamente a Brazil Plantations Syndicate, que depois mudou o nome da fazenda para satisfazer o ego dos ingleses'', argumenta.
Ele protesta contra a falta de reconhecimento a Afonso de Camargo.''Ele é totalmente desconhecido em Londrina. Não existe um único busto, uma única estátua. Preferiram dar todo o mérito da fundação do município aos ingleses, em detrimento de um cidadão brasileiro nascido no Paraná'', sustenta, lembrando que mesmo a CTNP não era puramente inglesa, mas uma subsidiária anglo-brasileira.


