Londrina – Dos 399 municípios do Paraná, 64 enfrentam epidemia de dengue e outros 48 estão em alerta por conta da alta incidência casos da doença e de focos do mosquito Aedes Aegypti. As regiões Oeste, Noroeste e Norte do Estado concentram grande parte das cidades que lutam para evitar a propagação do vírus. No último balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), São João do Caiuá, no Noroeste, liderava o número de casos confirmados. Entre agosto do ano passado e o início de maio (no chamado período epidemiológico da doença), 975 casos haviam sido registrados no município. Londrina apareceu em segundo lugar na lista, com 810 confirmações. Em terceiro estava Foz do Iguaçu (Oeste), com 621. No entanto, o número de confirmações se eleva a cada dia e os casos positivos não são informados de imediato ao governo estadual. Até 13 de maio, a Secretaria de Saúde de Londrina já havia registrado 1.036 casos de dengue.
A epidemia é constatada ao calcular a proporção do número de casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Quando a taxa de incidência é maior que 300, a epidemia já está instalada. O cálculo desconsidera casos importados. De acordo com a chefe do Centro de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde, Ivana Belmonte, os trabalhos de combate à doença são realizados conforme o número de notificações e não de confirmações. Dessa forma, segundo Ivana, a demora em reunir as estatísticas não prejudica a prevenção. A epidemia registrada no Paraná, segundo ela, é reflexo do aumento no número de casos no Estado de São Paulo.
A quantidade de notificações no Paraná aumentou 58% em relação ao período epidemiológico anterior. Já o número de casos saltou 69%. Entre agosto de 2013 e a primeira semana de maio de 2014, foram 36.989 notificações, sendo 8.528 confirmações de dengue. As notificações aumentaram para 58.371, sendo 14.452 casos confirmados entre agosto de 2014 e a primeira semana de maio de 2015.
De janeiro ao início de maio, exames confirmaram 13.811 casos no Paraná. Desse total, 13 pessoas morreram. Uma das vítimas foi uma idosa de 90 anos de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina). A Sesa aguarda a análise de oito exames de pacientes que morreram com suspeita da doença. Um deles se refere a Antônia Alves de Oliveira, de 50 anos, que morreu na Santa Casa de Londrina em 30 de abril. "Nesse caso, o resultado do exame do Lacen [Laboratório Central do Estado] saiu no dia 8 de maio e foi positivo para dengue. Ela estava com a doença, mas ainda é preciso aguardar a análise do prontuário para verificar se ela morreu por causa da dengue ou em razão de outras doenças", explicou Ivana.
O número de mortes investigadas pela Sesa não considera outros três óbitos suspeitos registrados em Londrina que ainda não foram informados oficialmente ao governo.
Para a chefe do Centro de Vigilância Ambiental da Sesa, a situação de epidemia enfrentada por 16% dos municípios do Paraná deve ser amenizada nas próximas semanas. "Já atingimos o pico e agora começa o declínio da epidemia com a queda nas temperaturas e o resultado dos trabalhos realizados pelas equipes. No entanto, as ações de combate ao Aedes Aegypti permanecem", afirmou.

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