580 famílias aguardam relocação
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Anna Camanducaia 
Kraw PenasAntonio Ribeiro enfrentou duas enchentes em 2,5 anos no localAs 580 famílias que vivem às margens dos rios Iraí, Palmital e Atuba, no município de Pinhais, esperam o reassentamento prometido pela Cordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) desde 1996. Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Vila Dignidade, elas seriam transferidas para um conjunto habitacional construído na Vila Tebas, também em Pinhais.
Segundo o secretário do Meio Ambiente do município, Jorge Roberto Grando, a Comec adiou a relocação por mais de cinco vezes, alegando que ainda falta infra-estrutura para abrigar as famílias. Procurada ontem, a chefia de gabinete disse que não havia ninguém para responder sobre o assunto.
Na região dos mananciais, elas não têm condições mínimas para viver e, além disso, poluem a água que serve para o abastecimento de Curitiba - caso do rios Iraí e Palmital.
Kraw PenasCastorina Freitas: Aqui, do lado do rio, não temos futuro
O gerente da unidade de produção da Sanepar, Agenor Zarpelon, diz que, há cinco anos, estão usando 50% a mais de produtos químicos no tratamento da água devido à degradação dos mananciais. Com isso, mantivemos a qualidade da água, que está dentro das normas internacionais da Organização Mundial de Saúde e das nacionais do Ministério da Saúde, diz. Mesmo assim, essas regiões precisariam de rede de esgoto, coleta de lixo e educação ambiental para a população.
Hoje, as famílias que estão nas margens dos rios não têm rede de esgoto e abastecimento de água. A energia elétrica dos barracos vem de uma instalação improvisada. A maioria dos assentados veio do interior do Estado em busca de emprego. Agora, trabalham na coleta de papel e na construção civil. As mulheres são diaristas ou donas-de-casa.
Os assentados reclamam da sujeira em que vivem e do medo de enchentes. O servente de pedreiro Antonio Ribeiro, de 24 anos, enfrentou duas enchentes, em dois anos e meio de assentamento. Ele veio de Ponta Grossa para tentar conseguir emprego em Pinhais. Hoje, vive no município com a mulher, a doméstica Janete Cardoso, de 22 anos, e dois filhos.
A catadora de papel Castorina Freitas, de 39 anos, também passou por dificuldades por causa da enchente. O que não conseguimos erguer, perdemos. Aqui, do lado do rio, não temos futuro. Castorina diz que quer se mudar da região o mais rápido possível. Não temos condições de viver assim. Só para se ter uma idéia, tomo banho numa bacia e a descarga é dada com um balde de água.
O pedreiro José Hirton dos Santos, de 45 anos, que mora com a mulher e quatro filhos, diz sofrer com a falta de esgoto, o mau cheiro e a poluição. Afirma que, quando chove, é o primeiro a ser atingido pela água porque mora ao lado de uma cava. José dos Santos vive na área de manancial há cerca de cinco anos para não precisar pagar aluguel.
O desempregado José Antonio dos Santos, de 26 anos, e a mulher, Cristiane Cardoso, de 21, vieram de Guaíra e estão há apenas um ano e meio no assentamento. Apesar de não terem enfrentado enchentes, estão preparados. Quando chove, eles deixam os objetos pessoais prepados para qualquer emergência.


