Kraw PenasAntonio Ribeiro enfrentou duas enchentes em 2,5 anos no localAs 580 famílias que vivem às margens dos rios Iraí, Palmital e Atuba, no município de Pinhais, esperam o reassentamento prometido pela Cordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) desde 1996. Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Vila Dignidade, elas seriam transferidas para um conjunto habitacional construído na Vila Tebas, também em Pinhais.
Segundo o secretário do Meio Ambiente do município, Jorge Roberto Grando, a Comec adiou a relocação por mais de cinco vezes, alegando que ainda falta infra-estrutura para abrigar as famílias. Procurada ontem, a chefia de gabinete disse que não havia ninguém para responder sobre o assunto.
Na região dos mananciais, elas não têm condições mínimas para viver e, além disso, poluem a água que serve para o abastecimento de Curitiba - caso do rios Iraí e Palmital.
Kraw PenasCastorina Freitas: ‘‘Aqui, do lado do rio, não temos futuro’’
O gerente da unidade de produção da Sanepar, Agenor Zarpelon, diz que, há cinco anos, estão usando 50% a mais de produtos químicos no tratamento da água devido à degradação dos mananciais. ‘‘Com isso, mantivemos a qualidade da água, que está dentro das normas internacionais da Organização Mundial de Saúde e das nacionais do Ministério da Saúde’’, diz. ‘‘Mesmo assim, essas regiões precisariam de rede de esgoto, coleta de lixo e educação ambiental para a população.’’
Hoje, as famílias que estão nas margens dos rios não têm rede de esgoto e abastecimento de água. A energia elétrica dos barracos vem de uma instalação improvisada. A maioria dos assentados veio do interior do Estado em busca de emprego. Agora, trabalham na coleta de papel e na construção civil. As mulheres são diaristas ou donas-de-casa.
Os assentados reclamam da sujeira em que vivem e do medo de enchentes. O servente de pedreiro Antonio Ribeiro, de 24 anos, enfrentou duas enchentes, em dois anos e meio de assentamento. Ele veio de Ponta Grossa para tentar conseguir emprego em Pinhais. Hoje, vive no município com a mulher, a doméstica Janete Cardoso, de 22 anos, e dois filhos.
A catadora de papel Castorina Freitas, de 39 anos, também passou por dificuldades por causa da enchente. ‘‘O que não conseguimos erguer, perdemos. Aqui, do lado do rio, não temos futuro.’’ Castorina diz que quer se mudar da região o mais rápido possível. ‘‘Não temos condições de viver assim. Só para se ter uma idéia, tomo banho numa bacia e a descarga é dada com um balde de água.’’
O pedreiro José Hirton dos Santos, de 45 anos, que mora com a mulher e quatro filhos, diz sofrer com a falta de esgoto, o mau cheiro e a poluição. Afirma que, quando chove, é o primeiro a ser atingido pela água porque mora ao lado de uma cava. José dos Santos vive na área de manancial há cerca de cinco anos para não precisar pagar aluguel.
O desempregado José Antonio dos Santos, de 26 anos, e a mulher, Cristiane Cardoso, de 21, vieram de Guaíra e estão há apenas um ano e meio no assentamento. Apesar de não terem enfrentado enchentes, estão preparados. Quando chove, eles deixam os objetos pessoais prepados para qualquer emergência.

mockup