Albari RosaNada práticoBrazília Schumann Possa, diretora da Escola Estadual Homero Batista de Barros, em Curitiba: ‘‘Agora o conhecimento é repassado só na teoria’’Apesar da exigência do Conselho Estadual de Ensino, que prega que todas as escolas devem possuir bibliotecas e laboratórios de ciências para poder funcionar, muitas instituições de ensino no Paraná não vêm obedecendo o disposto na lei. Segundo um levantamento da Secretaria Estadual da Educação, das 2.100 escolas estaduais do Paraná, apenas 1.525 possuem os espaços físicos destinados à colocação de livros. Nas outras 575 os livros ficam acomodados em caixas, impossibilitando a consulta dos alunos. Há ainda acervos antigos e desatualizados, fora do contexto da necessidade dos estudantes das escolas de 1º e 2º graus.
A existência de laboratórios desaparelhados e fechados para o uso dos alunos também é comum em muitas escolas. A falta de repasse suficiente de verbas pelo governo do Estado tem tornado comuns casos como o da Escola Estadual Homero Batista de Barros, em Curitiba. Segundo a diretora, a última compra de equipamentos e componentes químicos para as aulas de laboratório foi feita há 20 anos. O único microscópio da escola, que funcionava à pilha, está estragado há meses. As aulas de Ciências, Química, Física e Biologia, que pelo currículo incluem exercícios práticos, deixaram de ser realizadas. ‘‘Agora o conhecimento é repassado só na teoria’’, lamenta a diretora da escola, Brazília Schumann Possa.
Um dos membros do Conselho Estadual da Educação, Orlando Bogo, também reclama das falhas do orçamento do governo destinado ao setor. Pela lei, as instituições que não possuem bibliotecas ou laboratórios podem ter seu certificado de reconhecimento cassado. Quando isto ocorre, as escolas são obrigadas a deixar de funcionar. ‘‘Mas tem sido difícil para muitas escolas manter o que está estabelecido’’, diz o conselheiro.
Além da falta de dinheiro para montar as bilbliotecas e equipar os laboratórios, também há deficiência de profissionais especializados. ‘‘O governo do Estado, durante a campanha, fez promessas que não está cumprindo’’, reclama o conselheiro, referindo-se às declarações de que as escolas seriam prioritárias na destinação de dinheiro.
Segundo as regras do Conselho Estadual de Educação, as escolas podem permanecer funcionando por dois anos com um certificado provisório. Depois deste período, caso exista a confirmação de que a instituição tem deficiência na sua estrutura, a escola pode ter sua autorização cancelada. O prazo de dois anos tem sido concedido às escolas para que elas consigam equipar seus laboratórios com o mínimo exigido pelo Conselho.

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