Londrina - Milhares de londrinenses ficaram ontem sem a coleta do lixo reciclável. O contrato que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tinha com a Ecosystem Serviços Urbanos venceu na virada do mês e não foi renovado.
A empresa recebia R$ 47 mil por mês para realizar o recolhimento em 55 mil domicílios. O material era repassado para a Cooperativa dos Profissionais de Reciclagem de Londrina (Coocepeve), que mantém oito barracões de segregação de lixo na cidade, e que havia ficado cerca de um ano sem contrato com o poder público.
A maioria dos imóveis atendidos pela Ecosystem fica na Zona Leste de Londrina. Ontem, centenas de sacos verdes ficaram espalhados pelas ruas do Jardim Gaion e bairros adjacentes à espera do caminhão coletor, que não passou. ''Espanta um pouco. Se eles não passarem, não sei o que fazer já que não acho certo misturar o rejeito com o reciclável'', comentou a autônoma Marisa de Oliveira Cestari.
A CMTU ficou negociando por 20 dias a integração dos serviços de coleta e separação com Coocepeve, que não aceitou a proposta. ''Antigamente a gente tinha equipes de rua e de triagem, mas como perdemos espaço junto ao município esse pessoal acabou saindo da cooperativa. A maioria abandonou o lixo e mudou de área, hoje muitos estão na construção civil. Sem esse pessoal fica inviável fazer a coleta de lixo'', explicou a presidente da Coocepeve, Sandra Araújo. A cooperativa tem 90 associados.
O municípios ofereceu contrato de seis meses para a cooperativa. ''Esse contrato é muito arriscado, não traz segurança ao trabalhador porque é muito curto. Ano que vem é uma outra administração, e daí?'', questionou.
A CMTU pretende fazer uma nova contratação. Até o edital ser aberto, a Companhia vai realizar por conta própria a coleta em 37 mil domicílios antes atendidos pela Ecosystem. Outros 18 mil imóveis foram repassados para a Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon).
''É uma questão de logística. A Cooprelon fará o recolhimento nesses imóveis e repassará o material para ser triado pela Coocepeve. Até esse modelo (de contratação) ser aberto vamos estar atuando com caminhões da companhia no restante dos imóveis'', explicou o diretor de Operações da CMTU, Décio Zulian.
A CMTU inicia hoje a coleta nesses 37 mil imóveis. ''Serão dois turnos com equipes próprias'', revelou. A Companhia promete usar caminhões abertos, diferente dos compactadores da Ecosystem. Os recicladores reclamavam que os materiais chegavam estragados, aumentando a perda de produtos.
A Coocepeve mantinha venda média de 260 toneladas de materiais reciclados. ''Mês passado vendemos 104 toneladas porque havia muito lixo'', reclamou a recicladora.
A CMTU vai procurar manter o calendário utilizado pela Ecosystem. O diretor admitiu que falhas poderão ocorrer no início do serviço. ''A gente pode passar por uma eventual falha. Se avisados estaremos prontos para ir ao local e retirar esse material. A gente pede a colaboração do munícipe'', disse Zulian.
SERVIÇO:
O telefone de reclamações da CMTU é o (43) 3379-7900

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