55% dos favelados têm vocação agrícola mas preferem a cidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de setembro de 1997
Curitiba 
O estudo da Cohapar também procurou caracterizar quem são as pessoas que vivem em favelas, mas esses dados se referem apenas às do interior do Estado. Essa parte do estudo mostrou que o nível de miséria no interior não é tão grande, disse o secretário Rafael Dely.
De acordo com o estudo, 5.490 famílias vivem abaixo da linha de miséria, ganhando menos de R$ 60,00 por mês; 7.297 ganham entre R$ 60,00 e R$ 100,00. Outras 10.256 famílias têm renda entre R$ 101,00 e R$ 160,00; e 9.122 famílias ganham acima de R$ 160,00 mensais.
O maior número de famílias (4.740) é de bóias-frias. Também foram identificadas 3.664 famílias de aposentados ou pensionistas, 2.844 de desempregados, 1.917 famílias de serventes de pedreiros e 1.724 de pedreiros. Essas famílias, somadas, formam mais de 50% da população favelada do Paraná.
Os pesquisadores também perguntaram às famílias sobre suas aptidões e constataram que 55% são propensas à atividade agrícola. São famílias que podem voltar para o campo e ser encaixadas no programa das Vilas Rurais, afirmou Dely.
Na hora de optar por um tipo de empreendimento, contudo, apenas 5.017 (18%) famílias mostraram interesse em ir para uma Vila Rural. A maioria (15.540 famílias) disse que prefere ser incluída em algum programa urbano.
O secretário Rafael Dely disse que não existem dados anteriores que permitam uma comparação com épocas passadas. Ele citou apenas dados sobre Curitiba. Segundo Dely, em 1980 a capital tinha 3% da sua população vivendo em favelas. Em 1991, passou para 11% e, agora, para 6%. A redução deve-se a projetos como o do Bairro Novo e as regularizações fundiárias feitas pela Cohab nos últimos anos, afirmou. (L.A.K.)


