Atualmente, 48% dos alunos com deficiência estão inseridos no ensino comum no Brasil. Há dez anos, este número não passava de 28%, como afirmou a diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC), Claudia Maffini Griboski, durante o seminário Inclusão com Dignidade, realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) no anfiteatro do Shopping Com-Tour, na última sexta-feira.
Segundo Claudia, em 1998, apenas 6 mil escolas possuíam alunos especiais matriculados nas aulas regulares; hoje, já são 54 mil em todo o País. ''O governo federal tem discutido o assunto desde a assinatura da Declaração de Salamanca, em 1994, quando vários países se comprometeram a adotar políticas de inclusão'', rememorou a representante do MEC.
Em janeiro deste ano, um novo documento elaborado pelo Ministério propôs mudanças nas práticas educacionais, entre elas, a alteração da resolução que discorre sobre a educação substitutiva. Conforme Claudia, a resolução de 14 anos atrás apontava que a educação de alunos especiais deveria se dar em espaços separados. ''Entendemos que a educação deve acontecer na escola regular e que as escolas especiais devem dar um atendimento complementar em todos os níveis, seja nos ensinos fundamental, médio ou até superior.''
Por complemento, Claudia entende os serviços de acompanhamento psicológico, assistência social, fisioterapia e aplicação de metodologias, como o ensino de libras, braile, além da discussão dos processos de aprendizagem de alunos com comprometimento intelectual.
Segundo a diretora do MEC, a região Sul do Brasil apresenta indicadores baixos de inclusão por possuir um grande número de escolas especiais. ''O sistema paralelo é mais organizado que as escolas comuns'', avaliou. Ela comparou a situação local com o que ocorre na Bahia, onde falta opção de escolas especiais. ''Lá a escola comum é para todos.''
Para o educador físico Edmundo Silva Novaes, diretor de Políticas Sociais da APP Sindicato, a proposta de inclusão trouxe um ''grande questionamento às escolas e aos pais quanto ao rumo a ser seguido para melhor inserir os alunos no ensino comum''.
''Será que o sistema regular de ensino está preparado para receber todo mundo de uma vez só?'', perguntou. Novaes questionou ainda a falta de preparo dos professores para lidar com as necessidades dos alunos especiais e o aumento no número de estudantes em sala de aula. ''O seminário serve justamente para colocar essas questões em debate para sanar as dúvidas e definir o melhor caminho para a inclusão'', comentou o diretor da APP Sindicato.
Ainda segundo Novaes, é comum o retorno de alunos às escolas especiais depois de uma experiência no ensino regular. ''O aluno perde a referência, não mantém o mesmo nível social.'' Para o educador, o modelo atual de ensino ainda não oferece alternativas para melhor atuar com a deficiência intelectual, por exemplo. ''É preciso repensar o modelo. A sociedade precisa que a inclusão aconteça num processo digno e coerente'', sugeriu.
Para a diretora de Políticas de Educação Especial do MEC, Claudia Griboski, as mudanças já vêm acontecendo, por meio do Programa Educação Inclusiva - Direito à Adversidade, que já discutiu as políticas de inclusão e capacitou professores pelo Brasil inteiro. Ao todo são 147 municípios pólos, que disseminam as informações nas suas regiões de atuação em seminários.
Para Claudia, ''temos diferenças, mas somos todos iguais. Todos têm direito às quatro horas de escolarização normal e hoje estamos negando ao aluno especial o acesso à educação''. Conforme a diretora do MEC, o governo criou um Plano de Ações Articuladas, o qual reúne um diagnóstico da educação no País e também propostas das escolas.
''As principais demandas são por infra-estrutura, capacitação dos professores e adaptação arquitetônica'', informou Claudia, ressaltando que a União disponibiliza recursos para a adaptação dos prédios da rede pública em geral, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola.

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