Para o pediatra Edison Nagata, não há um consenso quanto aos motivos que levam à prematuridade. Patologias obstetrícias e infecções maternas estão entre as possíveis causas dos partos prematuros, associadas à baixa renda das mães, pré-natal inadequado, tratamentos de fertilidade que resultam em gestações múltiplas e até idade precoce ou avançada das gestantes.
De acordo com a enfermeira Ana Maria Rigo Silva, docente da UEL e doutoranda em saúde coletiva pela Faculdade de Sa© úde Pública da Universidade de São Paulo, houve um aumento dos partos prematuros em Londrina, que hoje somam 9% ao ano. ''Há dez anos, a porcentagem era de 6%.'' Nos Estados Unidos, o índice de prematuridade é de 11%, enquanto que na França chega a 7%, complementou a enfermeira, que obteve os dados brasileiros por meio do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, do Ministério da Saúde.
Ela está realizando uma pesquisa para estudar os fatores de risco dos nascimentos prematuros em Londrina. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e realizado em parceria pela USP e UEL, com orientação da professora doutora Marcia Furquim de Almeida.
Para ela, além das causas citadas por Nagata, outro fator que pode contribuir para o aumento dos prematuros é a melhoria dos registros. Desde 1996, os bebês que antes eram denominados óbitos fetais são considerados nascidos vivos.
''Se o nenê apresentar qualquer sinal de vida, como batimento do cordão umbilical ou movimento voluntário, ele é considerado nascido vivo na estatística'', explicou Ana Maria. Segundo ela, são realizados cerca de 7 mil partos por ano em Londrina de mães residentes na cidade. Destes, por mês, ocorrem, em média, 50 partos prematuros entre os cinco hospitais que atendem parto no município.
Para Nagata, apesar de se equiparar ao índice nacional, que gira entre 7 e 9%, o índice de partos prematuros em Londrina ainda é alto. ''Não há como prevenir a prematuridade já que as causas são muitas e individualizadas. Avanços como a fabricação do surfactante, um líquido que ajuda o bebê a respirar, e a nutrição parenteral, quando o nenê recebe pela veia o alimento que precisa para se fortalecer, têm facilitado o tratamento dos prematuros, mas o risco de morte ainda é muito grande.''
Ainda segundo o pediatra, as UTIs neonatal de Londrina estão bem equipadas, mas todas trabalham além da capacidade. Hoje, a cidade conta com cerca de 25 vagas entre os hospitais Evangélico, Infantil e Universitário.
No Evangélico, oito crianças ocupam a UTI neonatal e outras três a pediátrica. No Infantil, que foi reaberto no início do mês, oito prematuros estão internados na UTI neonatal e sete na pediátrica. Já no HU, que permanece interditado há um mês, em decorrência de uma bactéria, seis bebês estão internados na UTI neonatal, três deles colonizados pela bactéria e dois infectados. Outros quatro bebês estão na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).
O ideal, segundo Edison Nagata, é que exista espaço físico e médicos, enfermeiros e fisioterapeutas em quantidade adequada para atender a demanda. ''Uma UTI neonatal ideal deve oferecer um neonatologista de plantão para cada sete bebês, um enfermeiro para cada dois ou três bebês e um fisioterapeuta, além de um neonatologista diarista.'' (M.G.)

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