50 mil pombos poderão ser sacrificados
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quinta-feira, 03 de agosto de 2006
Vanessa NavarroReportagem Local 
Cerca de 50 mil pombos poderão ser sacrificados para controle populacional em Londrina. O número é pouco superior a 25% do total de aves contabilizadas pelo Município no perímetro urbano. É o que sugere o relatório apresentado ontem pelo coordenador do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná (Cimapar) e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ivens Gomes Guimarães, em reunião na Promotoria de Meio Ambiente.
O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, entre técnicos e representantes do Município e entidades ambientais. Ninguém expôs posição contrária ao abate. A medida é apenas uma da série de propostas feitas por Guimarães, que defende um monitoramento permanente de aves silvestres em nível regional. ''Temos que ver a dinâmica do problema e seu contexto. Falta informação sobre o estado sanitário das aves e seus movimentos migratórios'', frisou o professor, citando inúmeras enfermidades que podem ser transmitidas por esses animais, como a gripe aviária e a doença de New Castle.
Além dos pombos que seriam sacrificados, conforme o plano do Cimapar, aproximadamente 5 mil seriam capturados para exame em laboratório. A cada 150 aves examinadas, 100 seriam necropsiadas e as demais - se consideradas clinicamente normais - receberiam anéis e seriam soltas para acompanhamento de rota migratória. As que tivessem indícios clínicos de enfermidades ou potencial transmissão de doenças passariam por exames complementares.
O projeto prevê ainda a definição de oito áreas de captura com 32 pontos no total. Em cada ponto, o trabalho demandaria cinco dias úteis. O falcoeiro Anderson César Gonçalves, do Cimapar, explicou que a captura deverá ser feita na área rural onde os pombos que transitam pelo perímetro urbano de Londrina passam boa parte do dia com o uso de redes. As aves destinadas ao abate seriam, posteriormente, enviadas a câmaras de gás carbônico. ''É o método de menor sofrimento e já é utilizado em abatedouros de frangos'', justificou.
Guimarães salientou que a situação é emergencial e que neste contexto os pombos devem ser considerados como ''praga urbana''. Ele descartou medidas de controle de reprodução dos pombos adotadas em algumas cidades do mundo - como aplicação de ''anticoncepcionais'' ou ovos artificiais -, assegurando que não funcionam com as espécies locais e podem acarretar consequências para outros animais.
Pressionado na reunião a determinar o orçamento da execução do plano de controle e monitoramento, o professor ''chutou'' o valor de R$ 120 mil/ano. Entretanto, os participantes do encontro acreditam que a cifra pode ser bem maior. Questionado se a prefeitura irá arcar com as despesas, o secretário municipal de Meio Ambiente, Cleidival Fruzeri, garantiu ''apenas o custeio da captura, abate e destinação das aves, num primeiro momento''. Ele informou que nos próximos dias uma comissão vai estudar o número exato e os moldes do sacrifício.
Foi agendada para a manhã do próximo dia 19, na Câmara Municipal, uma audiência pública para tratar do assunto. A promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentin, adiantou que a audiência servirá para ''informar'' melhor, e não ''consultar'' a população. ''A questão da captura é técnica, e não de vontade'', resumiu. Sobre o destino das aves sacrificadas, ficou definido que só depois de descartar problemas sanitários se irá avaliar um possível consumo.


