Aproximadamente 50 famílias que haviam invadido dois terrenos na Rua Pedro Spisla, no bairro Santa Cândida, foram despejadas na manhã de ontem durante o cumprimento de uma ordem judicial de reintegração de posse. O local já apresentava casas de madeira em estado avançado de construção e luz elétrica por meio de ligações clandestinas, os chamados "gatos". A retirada dos moradores ocorreu de forma pacífica, garantida pela presença de 80 policiais militares.
Os terrenos, que somam 18 mil metros, são de propriedade de Ernestina Menicucci Rezende e não podem receber obras pois estão em uma área de preservação ambiental, em um fundo de vale, e também por ser ser área de servidão da Copel, por onde passam linhas de transmissão da companhia.
Segundo uma das moradoras da invasão, Aparecida Taietti Corrêa, ela e os outros ocupantes teriam sido convencidos a invadir o terreno por um suposto advogado de nome Ademilson, que teria lhes garantido que a área não tinha dono. "Ele disse que podia derrubar a mata que ele tinha autorização", lamenta Aparecida. Segundo ela, este homem teria lhes apresentado diversos documentos provando a legalidade da invasão. Ela conta que esta pessoa convenceu seu filho, Wellington Taietti Corrêa, de assumir a função de presidente da associação de moradores do local e cuidar da demarcação dos lotes.
No último dia 29 de abril, representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e da Força Verde estiveram no local e constataram a derrubada de vegetação nativa. Na ocasião, dez membros da ocupação foram multados em R$ 7 mil cada um e a dona do terreno em R$ 80 mil.
Segundo o advogado da proprietária da área, João Carlos Daleffi, em março do ano passado sua cliente teria sido informada da existência de uma ação de usucapião dos terrenos no nome de Cleverson Gois. Por volta do dia 18 de abril, um homem de nome Marcelo teria marcado uma reunião com o advogado e pedido R$ 200 mil para desistir da ação. Segundo Daleffi, na ocasião foi apresentado um pretenso Cleverson Gois, que teria cerca de 18 anos, o que impossibilitaria o fato de estar morando na área há mais de 20 anos, conforme consta na ação de usucapião. Ainda de acordo com Daleffi, dez dias após a recusa do pagamento dos R$ 200 mil a área foi invadida.
Segundo relato dos invasores, o homem chamado Ademilson, suposto articulador da invasão, teria sido preso recentemente por falta de pagamento de pensão alimentícia.

mockup