Curitiba - Cinco mil trabalhadores têm os dedos amputados, por ano, no Paraná. A média não é exata, pois não contabiliza os casos de trabalhadores informais ou aqueles que não chegam aos sindicatos, mas é reflexo de uma realidade que se agrava entre os trabalhadores metalúrgicos.
No início deste mês, 12 máquinas de uma empresa de Pato Branco (Sudoeste) foram interditadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) depois que quatro trabalhadores sofreram mutilações. Apenas no município, entre fevereiro e julho deste ano, foram seis acidentes com operadores de prensas excêntricas e máquinas de chavetas, utilizadas para modelar peças de metal. Os acidentados perderam alguns dedos, as mãos e, em um dos casos, o trabalhador foi prensado pela máquina, teve três costelas quebradas e o pulmão perfurado.
''São máquinas ultrapassadas, sem segurança nenhuma. Fazemos este alerta há mais de 10 anos'', afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Pato Branco e Região Sudoeste do Paraná, Ari Martins da Silva Pinto.
De acordo com ele, o maquinário antigo, sem dispositivos de segurança e o pouco treinamento dos funcionários são fatores que contribuem para a ocorrência de graves acidentes de trabalho.''O crescimento da produtividade e a pressão psicológia que as empresas fazem com os trabalhadores para maior produção também levam a acidentes'', ressalta o secretário geral da Federação dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas no Estado do Paraná (FETIM), Alfani Alves.
Proibidas
Muitas das máquinas utilizadas no Paraná operavam no Estado de São Paulo, onde agora são proibidas. Depois da proibição, os equipamentos são vendidos a preço baixo em comércios de sucata e vão para os municípios do interior do Paraná e Minas Gerais, onde muitos acidentes não chegam ao conhecimento dos sindicatos. Mesmo com a manutenção preventiva, a segurança aos trabalhadores que utilizam as máquinas não é garantida.
Na próxima semana, representantes das secretarias de Estado de Saúde e Trabalho irão se reunir para firmarem um plano de trabalho integrado no combate aos acidentes de trabalho. O objetivo é realizar um levantamento dos casos que resultaram em mutilações e apresentar ao governo do Estado uma proposta de proibição e substituição das máquinas no Paraná. ''Precisamos de mudanças urgentes nestas máquinas, pois elas não têm dispositivos de proteção para os trabalhadores'', afirma Alves.

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