Londrina - A filha mais velha de Maria Aparecida Castanho Rodrigues, Viviane, 21 anos, tem Síndrome de Down. Há dez anos ela recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. A ajuda é dada pelo governo federal para pessoas com deficiência que comprovem ser carentes e incapacitadas para o trabalho. Separada do marido e trabalhando como "freelancer" em um buffet de Londrina, Maria Aparecida confessa que só permitiria que a filha trabalhasse se fosse ganhar mais do que isso.
Viviane concluiu o ensino médio e faz parte da turma profissionalizante da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down de Londrina (APSDown). Conforme a psicóloga da APSDown, Mariane Barusso, a inserção no mercado de trabalho ainda é algo muito novo que, de certa forma, assusta um pouco as famílias.
Segundo o Núcleo Regional de Educação e Ensino de Londrina, existem hoje na cidade seis escolas de educação especial que atendem 590 pessoas portadoras de deficiência acima de 16 anos, ou seja, pessoas que já poderiam ser encaminhadas para o mercado de trabalho. Destes, pouco mais de 56% (258 alunos) recebem o benefício e apenas 5% (32) estão no mercado.
"Nosso objetivo final era que Ana Paula criasse uma independência e a gente conseguiu. Foi uma vitória." Quem comemora é Odete Aparecida Bertão Tarozo, mãe de Ana Paula Terozo, 26, portadora da Síndrome de Down que há dois meses trabalha como auxiliar de Recursos Humanos em uma empresa de transporte coletivo em Londrina.
Diferente de muitas mães que superprotegem os filhos portadores da síndrome, Odete sempre incentivou a filha a criar uma vida independente. E o resultado veio agora. "Depois que a Ana começou a trabalhar, ela evoluiu muito e se sente importante por ter seu próprio dinheiro. Ela criou autonomia como qualquer outra pessoa da idade dela", orgulha-se Odete.
Segundo a mãe, o vocabulário e a auto-estima da filha também melhoraram, pois ela ampliou seu convívio social. Ana Paula trabalha de segunda a sexta-feira no período da manhã e recebe o equivalente a meio salário mínimo, mas o crescimento pessoal dela vale muito mais para a família.
Ana Paula não esconde a alegria de ter comprado um relógio e um tênis com seu primeiro salário. Ela conta que ter ingressado no mercado de trabalho trouxe muitos benefícios e melhorias para sua vida. "Foi muito bom ter começado a trabalhar. As pessoas com quem trabalho são muito legais e trabalham bem. É muito bom ser independente".

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