O reinado de martinis, licores e cerveja é coisa do passado. As mulheres hoje transitam num espaço que até pouco tempo era dominado pelos homens. O melhor é que elas estão provando que o vinho, tanto quanto assunto deles, é também de interesse delas. Aliás, em Londrina, um grupo formado apenas por mulheres se reúne uma vez por mês para degustar - com conhecimento de causa - vários tipos da bebida, sempre em jantares que combinam com a garrafa selecionada, além de ouvirem considerações de enólogos e sommelliers convidados para cada ocasião.
Loucas por boas safras, essas enófilas também viajam o mundo conhecendo vinícolas para experimentar e dar pitaco em - muitas vezes - vinhos que ainda nem chegaram ao mercado. A famosa confraria de Londrina segue para seu quinto ano com um número de 40 mulheres, uma reunião todas as terceiras segundas-feiras de todo mês e dez degustações oficiais.
O maior objetivo é aprender a consumir o vinho, seja um exemplar de R$ 4 mil, já degustado por elas, ou uma modesta marca nacional de R$ 12. ''Depois que você aprende a degustar, começa a notar que existe muita coisa boa a preços acessíveis. A confraria quebra o paradigma de que só o caro é bom. Temos bebidas nacionais premiadíssimas e maravilhosas'', explica a advogada Keli Bergamo, 31 anos, que ocupa a posição de confreira-chefe, com um caderninho onde contabiliza mais de mil vinhos experimentados e suas considerações sobre cada rótulo.
As reuniões têm como ponto alto a escolha de um assunto que vai ser o motivo da conversa durante as mais de três horas de encontro. Tudo deve ser sempre relacionado ao vinho. Ocorre, é claro - afinal são muitas mulheres - de vez ou outra o ti-ti-ti girar em torno de outro tema, mas isso não pode sufocar a pauta central.
A noite começa com um drinque de boas-vindas, que geralmente é um espumante. Nessa entrada consome-se em média quatro garrafas. Em seguida vem a degustação do vinho escolhido (bebe-se não mais que cinco exemplares), onde o que se analisa é o visual (rótulo, cor, textura), olfativa (se o vinho persiste e remete a alguma coisa). ''Já na boca vamos avaliar o sabor, o álcool, a persistência. Não adianta você tomar um vinho e ficar com gosto de nada na boca. Na questão olfativa também analisamos a mudança com o contato com o oxigênio, pois, às vezes, você abre um vinho e ele tem cheiro de álcool, daqui a pouco ele muda totalmente, partindo para outro cheiro'', ensina Keli.
Cada confreira possui seu kit de desgustação completo, que inclui sete taças de cristal. Cada modelo, a cada garrafa aberta, é segurada pela haste para que não se altere a temperatura do vinho pelo calor das mãos. Nos encontros apenas se prova a bebida. Ninguém se empanturra. ''Tomamos doses pequenas. No máximo, em cada encontro, cada uma ingere quatro taças'', conta a presidente do grupo.

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