Albari RosaO delegado de Vigilância e Capturas, Carlos Alberto Neves, e os 40 mil mandados de prisão
que repousam nos arquivos da delegacia à espera de cumprimento: maioria já prescreveuSão 40 mil mandados de prisão ainda não cumpridos em todo o Paraná. Os documentos ‘‘adormecem’’ em sete arquivos de aço da Delegacia de Vigilância e Capturas, em Curitiba, onde são centralizadas as informações dos mandados de prisão expedidos e cumpridos no Estado. A maioria deles, diz o delegado titular Carlos Alberto Neves, já prescreveu. Na prática, Neves estima que 10 mil mandados teriam condições de ser cumpridos.
Uma possível mobilização policial no Paraná para realizar o máximo de prisões faria a delegacia esbarrar em outro problema. ‘‘Não há lugar para colocar mais presos. Está tudo superlotado’’, justifica Neves. A suposta solução para resolver o impasse, acredita o delegado, passa pelo Poder Judiciário. ‘‘Mais da metade desses mandados poderia ser resolvida de outra forma’’, opina, referindo-se a penas de prisão substituídas por prestação de serviços comunitários.
Como a maioria do aparelho policial brasileiro, a Delegacia de Vigilância e Capturas não acompanha a evolução tecnológica. O fichário com os nomes de ‘‘milhões’’ de criminosos é manual. Nem o delegado Carlos Alberto Neves sabe ao certo quantas fichas estão arquivadas na repartição. Ele diz que, em breve, um sistema informatizado deverá ser implantado para cadastrar quem já teve um mandado de prisão expedido na vida. O equipamento funciona através de raios ultra-violeta que lêem as impressões digitais do condenado e fornecem sua ficha criminal.
Enquanto a tecnologia não chega, Neves aguarda uma verba de R$ 3 mil para construir um armário especial para receber os 40 mil mandados de prisão que continuam não sendo cumpridos. (D.V.)

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