Curitiba

Arquivo FolhaPesquisa aponta que problema mais comum nos hospitais é a desnutriçãoUma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) revelou que 39% das pessoas internadas em hospitais no Paraná sofrem de desnutrição. São adultos com idades acima de 18 anos que estão hospitalizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que não têm acesso a um programa correto de alimentação. ‘‘O governo ainda não percebeu que a doença mais comum nos hospitais brasileiros é a desnutrição, e não o câncer ou a Aids’’, diz o presidente eleito da SBNPE e coordenador da pesquisa no Paraná, Antônio Carlos Campos.
O levantamento foi realizado no primeiro semestre deste ano em 13 Estados brasileiros, somando ao todo 27 hospitais conveniados ao SUS. Dos 4 mil pacientes examinados em todo o País, 48,1% foram considerados desnutridos, sendo que 12,6% já estavam em estado de desnutrição grave. A situação é ainda mais grave na região Norte e Nordeste do Brasil, onde o percentual de desnutrição entre os pacientes internados chega a 64%. No Paraná, que ficou em 11º na pesquisa, o levantamento foi concentrado no Hospital de Clínicas.
Segundo o coordenador da pesquisa, a gravidade do quadro nutricional entre as pessoas hospitalizadas ocorre por falta de sensibilidade do governo, que não paga o material (sondas, agulhas, bolsas) utilizado na alimentação dos pacientes. Até hoje, a tabela de preço dos procedimentos médicos financiados pelo SUS não contempla a alimentação enteral (por sonda), recomendada nos casos em que os pacientes estão impossibilitados de se alimentar normalmente. ‘‘Sem receber os alimentos necessários não há como um doente escapar da desnutrição’’, diz.
O médico também afirma que a falta de atenção do governo para o problema tem feito crescer os gastos hospitalares, já que os pacientes desnutridos acabam ficando mais tempo internados. Os dados sobre permanência hospitalar incluídos na pesquisa da SBNPE mostraram que os doentes não-desnutridos ficam em média seis dias internados, período que aumenta para 13 dias no caso dos portadores de desnutrição. ‘‘Sairia muito mais barato para o governo investir em terapias nutricionais do que pagar as internações’’, diz.

mockup