A morte de Madre Leônia Milito, religiosa cujo processo de beatificação tramita no Vaticano, completa 35 anos no dia 22 de julho. A irmã claretiana, nascida na Itália, é conhecida como a padroeira da Vida no Trânsito. A expectativa da postuladora do caso Madre Leônia é que a finalização dos trabalhos para proclamá-la beata ocorra em 2016.
A causa foi iniciada pela Diocese de Londrina em 1998, dezoito anos após a morte da religiosa em um acidente na BR-369, nas imediações de Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Foram cinco anos de coleta de materiais, consultas a arquivos e mais de 60 testemunhos, incluindo pesquisas em Sapri e Trecchina, na Itália, onde Madre Leônia viveu. O trabalho resultou em um processo documental com 41 volumes e 14 mil páginas.
Terminada essa fase, o caso foi reconhecido no Dicastério da Congregação dos Santos, em Roma. "Agora, estamos em direção à conclusão da biografia documentada. É o trabalho mais complicado porque realmente é uma história científica. Madre Leônia foi uma pessoa pública, que teve uma tarefa importante na Igreja ao lado de d. Geraldo Fernandes, nosso fundador da Congregação", diz a postuladora da causa no Vaticano, Irmã Tereza de Almeida.
A biografia documentada, explica, precisa compreender o relacionamento intenso de Madre Leônia com a Igreja. Segundo ela, o passo seguinte é a elaboração de um documento denominado "Informação de Virtudes", que busca especificar como a religiosa viveu, em profundidade, a fé, a esperança, a caridade, os mandamentos, sua amizade com Deus e o amor aos irmãos. "Como postuladora, eu tenho sempre duas atitudes diante da sua vida: de admiração pelo o que Deus realizou nela com a sua graça e, ao mesmo tempo, de grande reconhecimento, de espanto pelo o que ela realizou durante sua vida", pontua.
Uma equipe teológica e científica do Vaticano analisa as graças e milagres – intervenções divinas, sem explicação humana - atribuídos ao longo dos anos a Madre Leônia. Para que ela possa ser beatificada, é necessário que pelo menos um dos relatos seja comprovado. "Nossa dificuldade é que nenhum ainda está comprovado. Comprovar um milagre é também um dom de Deus para nossa Igreja", define a irmã.
A expectativa pela beatificação de Madre Leônia é grande. "Ela merece muito. No meu caso, todos os médicos já tinham me desacreditado de viver. Meu rim tinha parado", relata a advogada Fátima Aparecida Lucchesi, de 60 anos, de Londrina. Ela acredita ter recebido a intervenção da madre para sobreviver a uma pancreatite que a deixou em coma durante uma semana. O internamento ocorreu há um ano e meio. "O próprio médico me contou que tinha 20 anos de profissão e que é muito raro [o paciente] ser curado de pancreatite. O problema leva a óbito em 97% dos casos. Todos com quem conversei me disseram que foi realmente um milagre", completou.
Como forma de agradecer a graça, Fátima construiu uma capela, na propriedade da família, em homenagem à religiosa. É lá que ela guarda uma imagem da serva que ganhou de presente do cunhado, o vereador Péricles Deliberador. Ele também atribui à irmã da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret a recuperação após levar um tiro no peito durante uma tentativa de assalto.

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