Há exatos 35 anos, no dia 10 de junho de 1973, foi realizado em Londrina o primeiro transplante de rim do Paraná. A cirurgia, que durou cerca de quatro horas, foi realizada por uma equipe de 25 profissionais no antigo Hospital Universitário, situado na Rua Pernambuco, na Região Central. Os resultados foram satisfatórios e a equipe médica, que se preparou durante dois anos, comemorou emocionada. Foi um grande acontecimento que faria de Londrina um centro de referência na área.
  ‘‘Não havia muito conhecimento na área, mas a cidade contava com material especializado em nefrologia e equipe médica apta para a realização de um transplante renal’’, afirma o chefe da equipe cirúrgica, Lauro Brandina, que veio de São Paulo especialmente para organizar o serviço de urologia em Londrina. Há 48 anos ele trabalha como médico urologista.
  Algumas providências foram tomadas exclusivamente para a cirurgia: o centro cirúrgico do HU foi reformado, foi criada uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e autorizada a compra de todo o material necessário. Brandina destaca o apoio do então reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ascêncio Garcia Lopes.
  Uma preocupação da equipe era em escolher o melhor caso possível para o primeiro transplante. O escolhido foi Egídio Ramazotti, 26 anos, portador de insuficiência renal crônica. Ele recebeu o rim de seu irmão, João Ramazotti, 24 anos. ‘‘Egídio viveu mais de 30 anos com o rim transplantado. E faleceu há um ano de problema cardíaco’’, conta Brandina.
  A cirurgia foi um sucesso e a repercussão foi grande. Londrina ganhou destaque no cenário nacional e internacional. Além disso, a cidade recebeu médicos e pacientes de todo o Brasil e a equipe de Londrina ajudou no primeiro transplante em outros estados.
  O nefrologista Altair Mocelin também colaborou na realização da cirurgia. Responsável pela parte clínica, ele acompanha a evolução dos tratamentos e transplantes renais desde o início. E ressalta a evolução no setor. Na parte técnica, a retirada do rim do doador agora acontece por videolaparoscopia. ‘‘É menos doloroso’’, diz Mocelin, ressaltando que os remédios agora são mais seguros.
  Segundo Brandina, hoje a cirurgia de transplante renal é muito segura. Mesmo assim, a população ainda tem algumas dúvidas. Mocelin explica que para doar o rim é necessário apresentar compatibilidade genética e no tipo sanguíneo. Além do doador-cadáver, parentes também podem ajudar. ‘‘Aceita-se parente até o quarto grau. O não parente precisa de autorização judicial para doar seu rim’’, informa.
  Sobre a rejeição, o nefrologista explica que os pacientes transplantados precisam ser medicados com imunedepressores. ‘‘Esses medicamentos colaboram para não acontecer rejeição.’’ Além disso, o paciente necessita de acompanhamento. ‘‘No primeiro ano deve-se ir ao médico pelo menos uma vez ao mês. Depois, o paciente precisa ser acompanhado a cada dois meses enquanto o rim estiver em funcionamento’’, observa.
  Os pacientes que, por alguma razão, não podem ser transplantados e os que aguardam o novo rim fazem hemodiálise – tratamento que substitui as funções renais. Somente no Instituto do Rim são atendidos diariamente cerca de 100 pacientes. Além do Instituto, mais uma clínica oferece hemodiálise em Londrina.

SAIBA MAIS

- O primeiro transplante renal foi realizado em 1963 em Boston (EUA)
- No Brasil, o primeiro transplante aconteceu em São Paulo, em 1968
- No Paraná, o primeiro transplante foi realizado em Londrina em 1973
- No mesmo ano, em Londrina, aconteceu o primeiro transplante em uma criança e também o primeiro procedimento com doador cadáver
- Em Londrina já foram realizados mais de mil transplantes
- A média anual é de 40 transplantes em Londrina; os procedimentos acontecem no Hospital Evangélico, Santa Casa e Hospital Universitário (HU)
- Atualmente, cerca de 300 pessoas esperam por um novo rim em Londrina
- Situações em que o transplante não é realizado
- Doenças que podem levar ao transplante renal: diabetes, hipertensão, inflamação e/ou infecção no rim, herança genética e cálculos renais bilaterais
- Pessoas acima de 70 anos; pacientes com câncer recente; pessoas com insuficiência cardíaca; pacientes com seqüelas decorrentes de acidente vascular cerebral

Fontes: médicos
Lauro Brandina e Altair Mocelin

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