34% dos estudantes não usam camisinha
Guilherme Pupo
Marcelo AlmeidaFéA psicóloga Regina Teixeira: Maioria sabe usar o preservativo e conhece os riscos de contágio, mas continua com o pensamento mágico de que isso não vai acontecer com elesUma pesquisa realizada entre universitários de Curitiba entre 1995 e 1997 constatou que 34% dos estudantes não usam camisinha durante as relações sexuais e a maioria desconhece os sintomas da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).
O estudo foi coordenado pela Clínica de Sexologia da Universidade Tuiuti do Paraná. O questionário foi aplicado em 962 estudantes de 17 a 25 anos, nos cursos de Psicologia, Arquitetura, Engenharia, Administração, Publicidade e Jornalismo.
Segundo a psicóloga e sexóloga Regina Teixeira, diretora da clínica, para 73% dos entrevistados, o uso do preservativo prejudica a sensibilidade durante o ato sexual. Além disso, os universitários alegam que a camisinha gera desconfiança no parceiro. Sobre a falta de sensibilidade, existem técnicas e orientações para aumentar a sensibilidade corporal, além da genital, afirma a psicóloga.
Do total de estudantes que participaram da pesquisa, 37,8% disseram que fazem questão de utilizar o preservativo; 21,3% não fazem sexo com quem se recusa a usar camisinha; 12,6% dizem que sempre carregam uma no bolso (apesar de não utilizá-la em todas as relações); e 21,3% não fazem questão do uso.
A grande maioria dos universitários sabe usar o preservativo, conhece os riscos que a falta dele pode trazer e estão bem informados sobre as formas de contágio. Apesar disso, eles continuam com o pensamento mágico de que isso não vai acontecer com eles, comenta a psicóloga Regina Teixeira.
Ela observa que o uso da camisinha já é mais comum entre os mais jovens. O maior problema é a mudança de hábito entre os mais velhos, que iniciaram a vida sexual sem utilizar preservativo, comenta.
A realização do teste de Aids (para detectar o vírus HIV) também é considerada baixa. Em uma enquete realizada entre os calouros da Tuiuti, apenas 20% tinham feito o teste. Para informar os estudantes sobre a Aids e DST, a Tuiuti distribuiu uma cartilha.
Multiplicadores - Em março, a universidade vai iniciar a implantação de um projeto educativo para prevenção da Aids, doenças sexualmente transmissíveis e drogas. Aprovado pelo Ministério da Saúde, o projeto será coordenado por uma equipe de 30 médicos, psicólogos, fisioterapeutas e educadores.
O objetivo é formar multiplicadores entre os alunos dos 51 cursos da universidade e alcançar cerca de 20 mil pessoas até o final deste ano (entre alunos, professores e comunidade em geral).
O projeto foi orçado em R$ 146 mil e inclui a realização de treinamentos e pesquisas científicas sobre o perfil sexual dos alunos.





