Londrina – A educação é a melhor alternativa para quem quer mudar de vida. A frequências nos bancos escolares abre oportunidades para um futuro melhor. Mesmo privados da liberdade, muitos presidiários têm buscado as salas de aula como a única chance de se inserirem na sociedade.
Nos dias 3 e 4 de dezembro, acontecerá o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para detentos e adolescentes que cumprem medidas socioeconômicas. Mais de 300 presos das unidades I e II da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), da Casa de Custódia de Londrina (CCL) e do Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon) vão fazer a prova.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), em 2012, 23.665 privados de liberdade se inscreveram no Enem, sendo 20.687 homens e 2.978 mulheres. Deste total, 17.945 fizeram o exame em busca de certificação do Ensino Médio.
"Quero ter um caminho para seguir quando sair daqui. Vou aproveitar todo o tempo aqui dentro para ter uma profissão e poder mudar de vida", relata Renato Ferreira Garcia, de 25 anos. Garcia está preso há cinco anos na PEL I, onde cumpre pena de 18 anos por tráfico de drogas e porte de arma. "Sonho em fazer Zootecnia. Tenho um familiar que fez o curso e é bem isso que quero. Espero que a oportunidade que estou tendo aqui dentro possa ser dada a outros presos também", frisa.
Na PEL I, dos 600 detentos, 334 estão estudando. São 241 frequentando as aulas do Ensino Fundamental, 68 no Ensino Médio e outros 25 fazendo o cursinho pré-vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No domingo, a Universidade realizará o vestibular para esses alundos dentro das dependências da penitenciária.
"Acredito que a unidade tem que apresentar ferramentas para facilitar a reinserção destas pessoas na sociedade. E o estudo é um desses caminhos. Para quem está disposto a se esforçar é um grande chance para mudar de vida", ressalta o pedagogo da PEL I, Antônio Arruda.
As horas de estudo e também de leitura podem ser usadas para diminuir o tempo da pena. "A cada 12 horas de ensino a pena diminui em um dia", explica Arruda.
Na PEL II, onde estão presos mais de mil homens, 152 se inscreveram para realizar a prova do Enem. A unidade possui 474 detentos matriculados nos ensinos Fundamental e Médio. Para a pedagoga Miriam Medri Nóbrega, a falta de uma estrutura melhor impede que o número de alunos seja maior.
"Temos recebido muitos pedidos de matrículas e o interesse dos internos pelas aulas tem crescido a cada dia. Infelizmente o nosso espaço físico não nos permite aumentar o número de alunos. O estudo é uma grande oportunidade para eles saírem com uma outra visão da sociedade", garante.
Do Creslon, que abriga presos do sistema semiaberto, foram confirmadas 50 matrículas no Enem. Dos 200 internos, 178 trabalham atualmente e 90 ainda fazem cursos profissionalizantes. Três detentos, que recentemente progrediram do semiaberto para a prisão domiciliar, estão cursando Administração, Direito e Letras, após realizarem vestibular enquanto estavam presos.

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