30% dos doentes morrem enquanto esperam doador
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de janeiro de 1997
Da Sucursal 
A Central de Transplante de Fígado do HC não tem veículos adequados para transportar para Curitiba os órgãos doados em outras cidades. Em alguns casos, o médico vai com seu próprio carro buscar o órgão. Às vezes, em casos urgentes, o governo cede um helicóptero, diz o chefe da equipe de transplante de fígado do HC, Júlio Coelho. Do total de pacientes inscritos para receber um transplante, 30% morrem enquanto aguardam um órgão.
Hoje, a Central de Transplante de Fígado do HC tem na lista de espera 30 pessoas de Curitiba, interior do Paraná, outros estados e até de países vizinhos. Desde que entrou em funcionamento, em setembro de 1991, a central realizou 71 transplantes de fígado.
Segundo Coelho, o índice de sobrevida é de 80% após o transplante. Hoje, há medicamentos para controle da rejeição do órgão, explica. O médico diz que o paciente que recebe um fígado fica curado e depois de um ano do transplante pode ter vida normal.
No HC, os transplantes são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um transplante de fígado custa entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. A maioria dos pacientes é carente. Segundo Coelho, o primeiro paciente da lista de espera às vezes tem de ficar em Curitiba três meses, hospedado em albergues. Quando o órgão é doado, o paciente já tem de estar no hospital. É uma luta contra o tempo, conta.
Nos próximos dois meses, o HC deve inaugurar as novas instalações do Centro de Transplante de Fígado. Com a ampliação, o centro terá capacidade para fazer 45 transplantes por ano. Os custos da reforma, segundo Júlio Coelho, estão sendo pagos por um grupo de empresários.


