3 em 1 motivou assassinato, diz viúva
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Arquivo FolhaNo dia do crimeTereza diante do corpo do marido, em 6 de abril de 95: novo depoimento liga morte a golpe 3 por 1 Tereza Aparecida Bertola Pinheiro voltou atrás em seu primeiro depoimento e disse que seu marido, o investigador particular Marco Antônio Pereira da Costa, foi morto devido ao golpe três por um. O crime aconteceu em 6 de abril de 1995, em frente à casa do principal acusado pelo assassinato, Orides de Paula, morador da rua Açucena (zona oeste).
Marco Antônio recebeu um tiro na cabeça, disparado pelas costas. Na ocasião, ficou ferido no braço o ex-policial militar Moacir Gazola, que estava junto com o também ex-policial militar José Souto Camargo.
A Polícia Federal enviou um relatório sobre o novo depoimento de Teresa ao promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões de Carvalho Yassaka. O promotor deverá fazer a denúncia contra Orides de Paula, que está foragido da Justiça.
No primeiro depoimento à Polícia Federal, no ano passado, a viúva disse que não sabia porque Orides havia matado Marco Antônio. Na última segunda-feira, ela voltou a se apresentar ao delegado federal José Luis do Prado, que também ouviu o depoimento anterior da viúva. Ela revelou que o esposo teria sido morto quando cobrava dívida de uma comissão, por ter ajudado a aplicar o golpe três por um.
O golpe teria sido dado contra proprietários de uma madereira na cidade de Presidente Médici (RO). As vítimas foram lesadas em R$ 100 mil e Orides, segundo Tereza, prometeu dar comissão de R$ 50 mil. Marco Antônio teria trazido os empresários a Londrina e ajudado a tirar o dinheiro.
O golpe três por um consiste na venda de dólares falsos ou venda fria de veículo. Na venda de dólares, as vítimas trocam um real por três dólares falsos. Na hora de fechar o negócio, aparecem de surpresa pessoas que se identificam como policiais e prendem os envolvidos. Com a apreensão do dinheiro falso, os golpistas mandam que os envolvidos voltem para suas cidades de origem, sob pena de serem presas. Resultado: os golpistas ficam com todo o dinheiro. Na maioria das vezes, quem aplicava o três por um tinha ajuda da própria polícia, que acabava ganhando com o golpe.
Tereza está morando fora de Londrina e seu endereço não foi revelado. Ela justificou que, na época do primeiro depoimento, não contou a verdade por estar sendo ameaçada de morte pelo próprio Orides e Dirceu Veleda. Este último é acusado de ser um dos chefes da quadrilha e, depois de ser preso pela Polícia Federal de Campo Grande (MS), foi trazido para Londrina. Veleda fugiu do 3º Distrito Policial em fevereiro. Segundo Tereza, um policial teria recebido R$ 30 mil para facilitar de Veleda. Ela não revelou o nome do policial.
As investigações sobre o golpe três por um estão sendo feitas pela Polícia Federal. A Polícia Civil investiga o homicídio.


