Mário CésarEm guardaPolicial vigia pátio do 3º DP, na zona oeste de Londrina: PM acredita que presos planejavam pular muro usando uma ‘teresa’Doze presos do 3º Distrito Policial de Londrina (zona oeste) tentaram fugir na madrugada de ontem. Usando um pedaço de ferro, eles arrebentaram os cadeados de duas celas e chegaram até o corredor que dá acesso ao pátio onde costumam tomar sol. Segundo o delegado adjunto Jorge Barbosa, o movimento dos detentos foi notado, por volta das 4 horas, pelo investigador de plantão. Para conter a fuga, o policial deu alguns tiros para o alto e em seguida acionou a Polícia Militar. Diversas viaturas cercaram a área e os detentos acabaram se rendendo, sendo levados de volta para as celas.
A equipe de choque da PM se deslocou até o 3º DP por volta das 6 horas, segundo informou o supervisor do dia, capitão Manoel da Cruz Neto. Cerca de 25 policiais auxiliaram os trabalhos de revista das celas. Foram encontrados com os presos uma barra e alguns pedaços de ferro, usados para estourar os cadeados das celas e também uma ‘‘teresa’’ (corda feita com lençóis amarrados) presa em um colchão encharcado de água.
O capitão explicou que os presos planejaram pular o muro do distrito usando a teresa. O colchão molhado seria atirado para o lado de fora e funcionaria como contrapeso para que pudessem chegar ao topo do muro. Contrariando informações do delegado do DP, o capitão Cruz Neto afirmou que os detentos conseguiram ultrapassar o corredor da delegacia, chegando até o pátio. ‘‘Só não fugiram porque foram descobertos.’
Questionado sobre o pedaço de ferro, usado para arrebentar os cadeados, o delegado adjunto comentou que os presos podem ter se aproveitado de um descuido do serralheiro, que esteve no local na semana passada, fazendo o corte das barras. Outra hipótese levantada pelo delegado é que alguém de fora tenha passado o objeto para os detentos.
O delegado titular do 3º DP, Joaquim Antonio de Melo, informou que o distrito está com 16 presos além de sua capacidade. O local tem condições de reunir 32 detentos e está com 48. Mesmo assim, o delegado afirma que a situação é tranquila. ‘‘Os presos sempre estarão tentando fugir’’, disse. Ele informa que, após a última rebelião ocorrida no mês passado, o distrito recebeu reforço no policiamento interno. O investigador de plantão passou a contar com a ajuda de um policial militar.
O 3º Distrito, que teve as celas destruídas na última rebelião, está sendo reformado. Das oito celas, apenas seis estão sendo utilizadas. Além da reposição das grades, que foram arrebentadas, estão sendo erguidos os muros que cercam o DP. Também estão previstas reformas nas partes hidráulica e elétrica e construção de uma guarita. As obras devem ser concluídas em dois meses, estima o delegado.
Alguns pais de alunos da Escola Estadual Kazuko Ohara, que fica nos fundos do 3º Distrito Policial, foram buscar seus filhos no colégio, depois de serem informados, pela manhã, sobre a ação dos detentos. O medo dos pais não é sem sentido. Assustados com as fugas e rebeliões ocorridas este ano, moradores do jardim Bandeirantes fizeram protesto no mês passado pedindo que o DP deixasse de abrigar presos. ‘‘Qualquer motim no 3º DP é motivo de preocupação’’, diz o presidente da Associação de Moradores, Ivo de Bassi.
A Associação coletou cerca de 2.300 assinaturas que foram entregues, mês passado, ao secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Bassi entende que os londrinenses devem exercer pressão sobre as autoridades para que a construção da prisão provisória, prevista para estar pronta em seis meses, seja agilizada.
Uma funcionária da escola Kazuko Ohara, Ninfa de Paula Lima, disse que a diretora manteve contato com o delegado ontem pela manhã para saber a situação no DP. ‘‘As aulas foram dadas normalmente porque não havia mais perigo. Já estamos acostumados com isso. Temos que aprender a conviver com o problema.’

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