2.700 servidores da UFPR iniciam greve hoje
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Israel Reinstein 
A greve na Universidade Federal do Paraná (UFPR) começa hoje, com a paralisação dos 2.700 servidores técnico-administrativos. Amanhã é a vez dos quase 2 mil professores cruzarem os braços, aderindo o movimento. Hoje, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) realiza uma assembléia, às 10h30, para decidir se os 23 mil universitários apóiam ou não a greve.
A adesão da UFPR à greve geral das instituições federais de ensino acontece com duas semanas de atraso do restante do País. Mesmo assim, a presidente do Sinditest (Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Ensino de 3º Grau da Região Metropolitana de Curitiba), Roseli Isidoro, e o presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), José Roberto Braga Portela, apostam numa boa adesão, por causa da insatisfação generalizada.
Roseli disse que a greve não irá suspender os serviços de atendimento à população oferecidos pela UFPR, como os do Hospital das Clínicas e do escritório de advocacia. O que for essencial à comunidade deverá continuar funcionando, mas provavelmente as refeições nos restaurantes universitários sejam suspensas, avisou a presidente do Sinditest.
Os servidores querem a garantia de financiamento público para a Educação, abertura de cursos noturnos para os trabalhadores, reposição de vagas por concurso público, planos de cargos e carreiras e reposição salarial de 48,65%. Mas duas coisas preocupam os servidores: a reforma da Previdência e a Proposta de Emenda Constitucional-370, informou Roseli.
Concursos - Os professores endossam as propostas dos servidores, acrescentando a reabertura dos concursos e a implantação de bolsas de estudo. O presidente da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR), José Roberto Braga Portela, disse que a paralisação pode ser suspensa quando o governo atender os pedidos. O problema em que o governo federal não abre mão é em relação aos salários, congelados há três anos, complementou Portela.
Segundo a APUFPR, as 35 universidades federais do País precisam contratar 6 mil professores. No Paraná, a UFPR necessita repor 300 professores. A universidade pública está perdendo mentes, que se formaram em gerações, para as instituições privadas ou aposentadoria, afirmou o reitor eleito, Carlos Roberto Antunes dos Santos.
Na avaliação de Antunes, a perda de doutores e mestres pode prejudicar o desenvolvimento de novas tecnologias e teses na universidade. Hoje, as universidades públicas são responsáveis por 90% das pesquisas no Brasil. O setor privado não tem planos de qualificação do docente que permitam aos seus professores investirem em mestrados e doutorados, comenta.


