Cerca de 2,4 mil presos custodiados em penitenciárias paranaenses vão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL). As provas começam a ser aplicadas nesta terça-feira (13) e terminam na quarta (14). Com 201 inscritos, a segunda unidade da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) é a que concentra o maior número participantes no Estado. Além da equipe do dia, formada por cerca de 50 agentes, um contingente extra de 45 servidores deve reforçar o efetivo durante a aplicação dos testes.

Os presos do regime semiaberto farão a prova em espaços do setor administrativo da penitenciária. Já os internos serão acomodados nos espaços recém-reformados onde, em 2017, vão funcionar as salas de aula. J.S., de 29 anos, cumpre pena há cinco anos na PEL 2. Ele participa de cursos profissionalizantes e da remição de pena por leitura. Nos últimos meses, aumentou o ritmo dos estudos para passar no Enem. "É uma grande oportunidade pra mudar de vida, deixar o passado aqui para trás", projeta.

O sonho de J.S é ser aprovado no vestibular de Enfermagem. Em 2013, ele passou perto da aprovação. O detento conta que perdeu muito tempo com o episódio da rebelião, em outubro de 2015, em que praticamente todo o prédio foi destruído. "Para cumprir sua função de ressocializar, uma penitenciária tem que ter trabalho e estudo. Já estamos em uma condição bem melhor. Assim, as pessoas têm no que se agarrar", diz.

De acordo com o diretor da PEL 2, Reginaldo Peixoto, além da oportunidade de conseguir uma vaga na universidade, o que depende da aprovação do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), o detento pode eliminar matérias ou até mesmo conseguir a conclusão do Ensino Médio. Peixoto lembra ainda que 32 presos prestaram o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Dezoito foram aprovados na primeira fase e aguardam o resultado na segunda fase. "No ano que vem, com o retorno da escola, teremos números ainda melhores", acredita.

O espaço que abrigava a sala de aula antes da rebelião foi transformado em setor administrativo e, agora, as salas ficam dentro das próprias alas onde estão as celas. "Os presos não vão precisar atravessar toda a unidade para estudar. Agora, com a cela mais perto e com as portas automatizadas, ganhamos muito mais agilidade", ressalta.

O Enem PPL é ofertado em unidades prisionais e socioeducativas de todo o Brasil desde o ano de 2010. Segundo a coordenadora de Educação do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Glacélia Quadros, o número de inscritos superou as edições anteriores. "Este ano atingimos uma marca histórica devido ao empenho de todos os profissionais envolvidos na divulgação junto aos presos, na realização das inscrições e na busca pela documentação necessária. Foi um trabalho árduo e de equipe", observa.

No ano passado, dos 1.431 presos que se submeteram ao teste no Estado, 221 (15% do total ) conseguiram a conclusão do ensino médio e 928 (65%) tiveram êxito em uma ou mais disciplinas, o que significa que não precisam mais cursar determinada matéria durante o ensino médio.

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