24 mil já foram infectados por dengue em Londrina
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Para cada caso confirmado de dengue, o Ministério da Saúde estima que outras cinco pessoas tiveram contato direto com o vírus, mas não fizeram parte das estatísticas dos municípios. Em Londrina, aproximadamente, 24 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença nos últimos 15 anos. Com base nesse cálculo, o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, estima que outros 120 mil moradores tiveram contato com um dos quatro tipos de vírus da dengue que circulam na cidade no período. No entanto, por alguma razão, os infectados não realizaram exames laboratoriais. "São casos que não foram confirmados ou porque a pessoa não apresentou os sintomas da doença ou porque ela não procurou assistência médica. São vários os possíveis motivos", explicou.
A divulgação da estimativa foi feita como alerta para o risco de uma nova epidemia de dengue nos próximos meses. "Uma segunda ou uma terceira infecção por vírus da dengue expõe a pessoa a um risco maior de ocorrência de dengue hemorrágica. Há estatísticas que chegam a dizer que a cada quatro casos de dengue hemorrágica, três vão a óbito, e a evolução desses casos é muito rápida", ressaltou Martin. Em 2003 e em 2011, a cidade enfrentou duas epidemias da doença com mais de 7.500 casos confirmados em cada ano. Entre 1º de janeiro e 22 de dezembro de 2015, foram 2.844 confirmações de dengue. Dois pacientes morreram com a doença. O número de infectados deve aumentar com a chegada do verão.
Diversas ações de combate ao Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, foram realizadas no município após a publicação de um decreto de estado de alerta epidemiológico no final de novembro. A prefeitura recebeu 870 denúncias de possíveis criadouros do mosquito. No entanto, o secretário admite que não foi possível checar as informações. Ao todo, 240 agentes de endemias atuam no município. Outros 120 devem ser contratados até o dia 15 de janeiro para auxiliar os trabalhos nos próximos seis meses. "Já temos 52 infrações passíveis de multas. As pessoas já receberam a infração e agora corre o prazo para a apresentação das defesas. No mês de janeiro, nós vamos começar a fazer a aplicação efetiva das multas daqueles que não removeram os focos", afirmou Martin. Os valores das multas ainda não foram definidos.
Com a reorganização dos trabalhos e o aumento da fiscalização, a expectativa é que os próprios moradores passem a colaborar com a limpeza dos quintais. Em novembro, o índice de infestação do Aedes Aegypti foi de 11,38%. Um novo levantamento parcial realizado no mês de dezembro apontou índice de 9,33%. A avaliação parcial considerou áreas próximas aos bairros São Lourenço, Maracanã, Jardim Santiago, Conjunto Luiz de Sá, Gralha Azul e Vila Recreio.
Até esta quarta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde não havia registrado casos de zika vírus ou chikungunya em Londrina. No entanto, um protocolo de atendimento às gestantes infectadas pelo zika vírus já foi elaborado pela prefeitura. "Todas as gestantes que tiverem suspeita e confirmação de contaminação pelo zika vírus serão encaminhadas para uma primeira avaliação no ambulatório de gestação de alto risco do Hospital Universitário. Elas terão a gestação acompanhada pelos funcionários das unidades básicas de saúde e, no final da gestação, o parto será realizado no HU", explicou Gilberto Martin. As crianças nascidas com microcefalia serão atendidas na ala de pediatria do HU. Já as atividades de estímulo precoce serão oferecidas pela rede municipal de saúde.
Neste mês, a prefeitura realizou reuniões para a capacitação de profissionais das unidades básicas de saúde e das unidades de urgência e emergência. A diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal, Fatima Tomimatsu, reforça que a atenção para evitar a infecção pelo vírus deve ser redobrada no caso das gestantes, com o uso de repelentes. "Um exame laboratorial chamado PCR, detecta o zika vírus. Preferencialmente, ele deve ser realizado até o quinto dia do início dos sintomas", ressaltou. Coceira e manchas avermelhadas na pele estão entre os sintomas da doença.


