203 índios fazem vestibular
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Marta Ortega<br>Equipe da Folha 
Londrina - Duzentos e três candidatos de várias partes do País participam do VIII Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, que é realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O vestibular, que é feito em parceria com a Comissão Universidade para os Índios (Cuia), envolve todas as instituições estaduais de ensino superior, além da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O processo seletivo ocorre em duas etapas. Ontem, os vestibulandos participaram da prova oral de Língua Portuguesa. Eles receberam três textos visuais e verbais, com tema geral, que seriam avaliados pelos alunos de forma separada ou em conjunto. A provas foram individuais e realizadas por dois professores em cada uma das 14 salas utilizadas no campus da UEL. Os avaliadores são representantes da Cuia estadual e professores convidados das várias universidades envolvidas no processo seletivo.
Hoje, os candidatos respondem a cinco questões referentes a oito disciplinas - além de Redação, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna ou Língua Indígena, Biologia, Física, Geografia, História, Matemática e Química. As notas podem chegar até 50.
Os candidatos são das etnias ava-guarani, dessano, guarani, guarani-mbya, guarani-nhandewa, hexkaryana, caingangue, kaiowa, karitiana, terena, tukana, tupi-guarani, xavante, xetá, xokleng, do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Amazonas. Eles disputam 42 vagas, seis em cada universidade estadual - de Londrina (UEL), de Maringá (UEM), de Ponta Grossa (UEPG), do Norte do Paraná (UENP), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e seis para as faculdades estaduais. Outras dez vagas são para a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os indígenas de outros Estados só podem se candidatar às vagas da UFPR, enquanto que os paranaenses podem concorrer em todas as instituições.
De acordo com a organizadora do vestibular, presidente estadual da Cuia e diretora do Prograde, Silvana Drumond Monteiro, cada universidade estadual oferece seis vagas para os índios e a federal, dez. "Não temos licenciatura especial para os indígenas e, por isso, eles têm vestibular específico. Existe uma movimentação do governo do Estado de trabalhar melhor o ensino fundamental e médio e a licenciatura intercultural para que os índios possam fazer o vestibular universal, sem estarem separados dos demais vestibulandos".
O nível dos candidatos, segundo Silvana, é considerado bom, uma vez que muitos estudam na própria aldeia ou mesmo em escolas públicas próximas. Hoje, em todo o Brasil, 27 índios estão cursando uma faculdade. Quatro deles já estão formados, dois no ano passado e dois este ano.
O resultado do vestibular será divulgado no dia 8 de janeiro de 2009, a partir das 17 horas.


