2010: o ano dos sons
Desde o nascimento e por 17 anos ele só ouviu o som do silêncio. Mas neste janeiro de 2010, o mundo do adolescente londrinense Gustavo Custódio Grande vai ganhar som. Todos os sons. O jovem se submeteu em novembro a um implante coclear (técnica que recupera a audição por meio de eletrodos) e nos primeiros dias do próximo ano vai se submeter à última fase do procedimento. Irá ouvir pela primeira vez.
O que eu mais quero ouvir é a voz da minha família, diz convicto. Com 17 anos, Gustavo nunca se deixou abater: é excelente aluno (cursa o 1º ano do ensino médio), tem muitos amigos, pega ônibus e circula sozinho pela cidade e não é revoltado com sua condição.
Mas diante da possibilidade cada vez mais próxima de redescobrir a vida em toda a sua abundância, fica quase impossível controlar a ansiedade. Vou ficar muito feliz em ouvir as vozes das pessoas que eu gosto e com a possibilidade de me comunicar, de escutar alguém chamar meu nome, confessa, em meio a um turbilhão de expectativas.
A mãe, a empresária Márcia Custódia Grande, afirma que a surdez jamais foi razão para ele ser privado de nada, mas confessa que a vitória de ver o seu primogênito ouvir o mundo realiza a todos. Ele está alcançando um sonho dele e de toda a família. Filho a gente ama acima de tudo, mas não tem nada que pague vê-lo feliz por inteiro e com a certeza de que vai poder conhecer tudo, até as coisas mais simples. Hoje, choramos de alegria. (L.A.)





